Silenciar os jornalistas iranianos põe em perigo os direitos humanos do país, diz especialista da ONU

“Jornalistas devem ser protegidos, não assediados ou perseguidos por fazerem seu trabalho”, afirmou o relator especial da ONU sobre os Direitos Humanos no Irã, Ahmed Shaheed.

“Silenciar essas vozes críticas [dos jornalistas] é inaceitável – prejudica o debate público e priva os iranianos e o resto do mundo de informações importantes sobre a realidade do país”, declarou o relator especial da ONU sobre os Direitos Humanos no Irã, Ahmed Shaheed, nesta sexta-feira (05), ao apresentar, em Genebra, um relatório sobre a situação no país aos membros do Conselho de Direitos Humanos.

“O uso recorrente de vagas referências a ameaças à segurança nacional, propaganda contra o sistema e insulto a autoridades para perseguir e deter jornalistas ou ativistas está em contradição com as duas normas internacionais relativas às liberdades de expressão e de associação e do princípio da legalidade”, afirmou Shaheed.

O relator expressou preocupação com a prisão e com o julgamento de Jason Rezaian, um repórter do Washington Post, e sua esposa, Yeganeh Salehi, correspondente do jornal Emirados Árabes Unidos,The National. Rezaian – que começou a ser julgado semana passada em Teerã a portas fechadas sob a acusação de espionagem e a colaboração com governos hostis – foi arbitrariamente detido e não foi formalmente acusado por quase 10 meses.

“Jornalistas devem ser protegidos, não assediados ou perseguidos por fazerem seu trabalho. A prisão e julgamento de Rezaian e Salehi não somente violam seus direitos individuais, como intimidam todos os que trabalham com a mídia no Irã, disse Shaheed.