Show do Criolo em SP arrecada quase 2 toneladas de alimentos para refugiados

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Em um show que reverenciou o samba e suas raízes, o rapper brasileiro Criolo reafirmou seu compromisso com a causa humanitária e promoveu a arrecadação de alimentos para refugiados e solicitantes de refúgio, assim como para migrantes e brasileiros em situação de vulnerabilidade que vivem em São Paulo.

Antes do início do espetáculo, enquanto os fãs do músico chegavam com suas doações, o vídeo “Tendências Globais do Deslocamento Forçado em 2016”, produzido pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), foi exibido em todas as telas do Citibank Hall.

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Em um show que reverenciou o samba e suas raízes, o rapper brasileiro Criolo reafirmou seu compromisso com a causa humanitária e promoveu a arrecadação de alimentos para refugiados e solicitantes de refúgio, assim como para migrantes e brasileiros em situação de vulnerabilidade que vivem em São Paulo.

Os fãs que compareceram ao show “Espiral de Ilusão”, realizado no último sábado (24), atenderam ao chamado do músico e doaram 1,7 tonelada de alimentos que serão distribuídos entre três entidades que atendem essas populações: Missão Paz, Instituição Beneficente Maria Rosa de Jesus e a organização África do Coração. A doação dos alimentos foi coordenada com a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), que contribuiu para a indicação das entidades aos realizadores do show.

A psicóloga angolana Maria Fernanda, de 25 anos, é colaboradora da organização África do Coração e ressaltou a grandeza do gesto de Criolo diante a uma situação que se intensificou no Brasil nos últimos meses: a chegada de mães com crianças pequenas ou mesmo grávidas, que solicitam refúgio no país e procuram auxílio da organização.

“Poderíamos pensar que são simples pacotes de arroz, feijão, açúcar e farinha. Mas na verdade estes alimentos arrecadados vão contribuir para a saúde de pessoas vulneráveis que estão chegando ao Brasil”, afirmou Maria Fernanda, que atua na África do Coração há oito meses.

A África do Coração é a primeira organização no Brasil que foi fundada por pessoas refugiadas para o atendimento de refugiados e solicitantes de refúgio. Desde seu início, há mais de um ano, a organização presta vários serviços de apoio aos refugiados, como esclarecimentos aos recém-chegados, indicação de serviços públicos, traduções e também organiza eventos de integração local, como a Copa dos Refugiados, que será realizada em agosto em São Paulo.

Para o Padre Paolo Parise, que coordena os trabalhos da Missão Paz em São Paulo e que há mais de 20 anos se dedica ao acolhimento de pessoas em situação de refúgio e migrantes, a iniciativa de Criolo terá impacto direto.

“Enquanto no plano material estes alimentos serão muito bem vindos para sanar, ao menos momentaneamente, as necessidades básicas de famílias de refugiados e migrantes recém-chegados e que não estão empregados, no campo simbólico o Criolo é corajoso em contribuir para um tema que parte da sociedade não aceita, colocando os direitos destas pessoas em primeiro lugar”, disse.

Antes do início do espetáculo, enquanto os fãs do músico chegavam com suas doações, o vídeo “Tendências Globais do Deslocamento Forçado em 2016”, produzido pelo ACNUR, foi exibido em todas as telas do Citibank Hall.

“Estávamos ali na fila para comprar bebidas e, ao ver o vídeo, paramos de conversar um pouco porque os dados e as imagens apresentadas são impactantes. É desconfortante saber que há pessoas vivendo em condições tão inóspitas”, disse o estudante Eduardo Martins.

O vídeo foi lançado na semana passada para ressaltar o relatório do ACNUR que leva o mesmo nome, evidenciando o total de 65,6 milhões de pessoas que foram forçadas a se deslocar no mundo em decorrência de conflitos armados, guerras e perseguições. Os dados do relatório estão disponíveis em https://goo.gl/gcNXLM.

No Brasil, de acordo com dados recentemente divulgados pelo governo federal, até o fim de 2016 havia 9.552 refugiados reconhecidos no país, provenientes de 82 diferentes nacionalidades. Há ainda 10.308 solicitações de refúgio que foram feita no ano passado, principalmente por pessoas da Venezuela, Cuba e Angola.

Assista abaixo ao vídeo exibido pelo Citibank Hall:


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