Show de aniversário da ONU reúne 200 pessoas no Rio de Janeiro

Cerca de 200 pessoas reuniram-se na Fundição Progresso, no centro do Rio de Janeiro, na terça-feira (24), para o aniversário de 72 anos das Nações Unidas, celebrado com o show de uma banda de refugiados africanos e outra de artistas da Baixada Fluminense. O evento teve como foco a Década Internacional de Afrodescendentes, adotada em 2015 pelos Estados-membros da ONU, entre eles o Brasil, para enfrentar o racismo.

“A grande participação neste evento mostra que a ONU pode ter uma imagem menos formal, menos protocolar”, disse o diretor do Centro de Informação das Nações Unidas no Brasil (UNIC Rio), Maurizio Giuliano, organizador da festa. “Precisamos estar mais perto dos jovens, das pessoas para as quais trabalhamos, abraçando suas diversidades de opiniões, raças, culturas”.

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Cerca de 200 pessoas reuniram-se na Fundição Progresso, no centro do Rio de Janeiro, na terça-feira (24), para o aniversário de 72 anos das Nações Unidas, celebrado com o show de uma banda de refugiados africanos e outra de artistas da Baixada Fluminense.

O evento teve como foco a Década Internacional de Afrodescendentes, adotada em 2015 pelos Estados-membros da ONU, entre eles o Brasil, para enfrentar o racismo.

“A grande participação neste evento mostra que a ONU pode ter uma imagem menos formal, menos protocolar”, disse o diretor do Centro de Informação das Nações Unidas no Brasil (UNIC Rio), Maurizio Giuliano, organizador da festa. “Precisamos estar mais perto dos jovens, das pessoas para as quais trabalhamos, abraçando suas diversidades de opiniões, raças, culturas”.

Formada por refugiados da República Democrática do Congo e de Angola, a banda Bomoko apresentou músicas de diferentes países africanos e alguns covers internacionais. Em uma hora de apresentação, o grupo de sete integrantes agitou um público formado por jovens, funcionários das Nações Unidas e de organizações não governamentais.

Um dos integrantes da Bomoko é Santos Touskul (voz e violão). Há seis meses no Brasil, o angolano de 39 anos veio ao país com mulher e filhos com a esperança de crescer profissionalmente e estudar automação industrial. Especialista em petróleo, ele hoje trabalha em um supermercado e vive em Inhaúma, zona norte da cidade.

“Graças à música e a esta banda, estou conhecendo quase o Rio de Janeiro todo. Estou andando muito, tocando por aí”, contou. “Mudou muita coisa para mim depois da banda. Estar aqui para tocar no aniversário da ONU é muito importante”, disse.

Também integrante da Bomoko, a angolana Ruth Victor Mariana, de 32 anos, chegou ao Rio em 2015 com dois filhos e, inicialmente, teve dificuldades de compreender o português falado no Brasil. “Ninguém me entendia, por causa do sotaque de Angola. Os brasileiros também falavam muito rápido”.

Hoje mais versada no sotaque brasileiro, ela conta que conheceu os demais integrantes da banda na sede da organização Cáritas, que recebe migrantes e refugiados. Ela lembra que Bomoko significa união em lingala, língua falada na República Democrática do Congo. “Hoje a gente cantou uma música chamada ‘Different colours, one people’. Porque somos um só povo”.

Os músicos organizaram-se profissionalmente por meio da empresária Adriana Queiroz, que já tinha experiência com refugiados da África e do Oriente Médio. “A ideia é mostrar de uma forma alegre que os refugiados não estão aqui para tirar o emprego de ninguém, que eles não são criminosos, que estão aqui para somar. Mostrar a beleza e a riqueza da cultura que eles trazem para o Brasil”, disse a empresária, também presente no evento.

Baixada Nunca se Rende

O segundo show da noite foi de representantes do coletivo Baixada Nunca se Rende, formado por mais de 100 músicos da região. O grupo cantou sucessos de O Rappa, Cidade Negra, Paralamas do Sucesso e Legião Urbana, e encerrou a apresentação com uma roda de rap sobre cada um dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030.

Entre os integrantes do coletivo está Gui Rodrigues, de 43 anos, que também participa das bandas Cabeça de Nego e Monobloco. Ele explica que os ODS já faziam parte da temática abordada pelos músicos, mesmo antes de se unirem ao projeto do Centro Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (Centro RIO+) das Nações Unidas — que mais tarde deu origem a um documentário exibido internacionalmente.

“A gente fala de erradicação da fome, da pobreza, da luta pela igualdade de gênero e pela igualdade social, da preservação da natureza, da vida, da água, de relações humanas, enfim”, disse o músico. “E quando vieram os ODS, vimos que as músicas se encaixavam”, lembrou.

Renata Cobre, de 46 anos, produtora cultural do Baixada Nunca se Rende, reitera que todas as músicas compostas têm alguma ligação com a agenda aprovada pela comunidade internacional em 2015, “sem que a gente tivesse ouvido falar disso”. A intenção do coletivo é justamente “traduzir” os objetivos globais da ONU para o cotidiano das pessoas nas periferias das cidades por meio da música.

“A maioria das pessoas não conhece os ODS. Quando a gente vai fazer a exibição do nosso documentário, ou quando a gente faz a roda de rap, a gente passa para as pessoas algo que elas não conhecem, mas que é importante, que faz parte dessa agenda até 2030”, disse Luther Modesto, de 20 anos, estudante e MC do grupo Helmut.

Para Renato Biguli, integrante do coletivo e das bandas Monobloco e Cabeça de Nego, o objetivo global mais importante neste momento é o de número dois, que prevê acabar com a fome no mundo. “A alimentação é fundamental para todo o ser humano, que não é nada sem esse produto para lhe deixar forte e pensativo”, disse.

“Para mim, essa é uma questão na Baixada e no mundo inteiro, em todo lugar que tiver um gueto, uma comunidade ou pessoas de baixa renda”, concluiu.

O evento na Fundição Progresso foi promovido pelo UNIC Rio, Centro Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (Centro RIO+), Centro Pan-Americano de Febre Aftosa (PANAFTOSA), Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (ONU-HABITAT), Programa de Voluntários das Nações Unidas (UNV), Rede Internacional de Capacitação de Recursos Hídricos (em inglês Cap-Net/PNUD). Também participaram o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e a Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI).

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