Setor privado e gestão pública integrada são destaques de encontro internacional em Foz do Iguaçu

O 2º Fórum Mundial de Desenvolvimento Econômico Local reuniu mais de 3 mil pessoas de 68 países.

Jorge Chediek (centro), do PNUD, entre o ex-presidente Lula (dir.) e José Fortunati (esq.), prefeito de Porto Alegre e presidente da FNP. Foto: Alexandre Marchetti/Itaipu Binacional

Jorge Chediek (centro), do PNUD, entre o ex-presidente Lula (dir.) e José Fortunati (esq.), prefeito de Porto Alegre e presidente da FNP. Foto: Alexandre Marchetti/Itaipu Binacional

Promover políticas públicas descentralizadas sobre desenvolvimento local, melhorando as condições e a qualidade de vida nos territórios. Esta foi uma das mensagens centrais enviadas aos governos nacionais durante o 2º Fórum Mundial de Desenvolvimento Econômico Local, realizado na semana passada em Foz do Iguaçu (PR). Mais de três mil pessoas de quase 70 países estiveram presentes no evento.

O papel dos governos na construção de políticas integradas foi um dos temas abordados, considerado fundamental para uma estratégia bem-sucedida de atuação local. A crescente importância dos municípios na economia global traz desafios que demandam soluções inovadoras. Estima-se que, em 2025, menos de um quarto das cidades do mundo serão responsáveis por 65% do crescimento global. Desse total, 73% serão de mercados emergentes.

“O desenvolvimento econômico local não é apenas uma alternativa viável, mas um complemento indispensável para obter uma trajetória de crescimento mais dinâmica e sustentável”, defendeu Rebeca Grynspan, subsecretária-geral da ONU e vice-diretora mundial do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). “É importante conectar o regional com o nacional, sem cair no erro de ter políticas locais e nacionais que se contraponham”, complementa.

O setor privado, considerado como um dos motores na promoção do desenvolvimento econômico local, também foi destaque no fórum. Sobre o tema de responsabilidade social corporativa, o representante do PNUD no Brasil e coordenador do Sistema ONU no país, Jorge Chediek, diz que o PNUD “promove ativamente o princípio de cidadania corporativa nas empresas”, para as quais “é importante ter um investimento na qualidade de vida da sociedade onde investem e atuam”.

“A resposta foi bastante positiva, muitas empresas reconhecem que é importante ganhar dinheiro, mas fazer isso à custa de destruir o nome da empresa ou de perder seus consumidores não é bom negócio”, explicou.

As consequências da instalação de grandes empreendimentos em pequenos municípios também foram discutidas no fórum. Embora os novos empreendimentos movimentem a economia local, é preciso garantir que os municípios tenham estrutura adequada para se beneficiar e incorporar as transformações sociais e econômicas decorrentes desse processo.

Como complemento às discussões centradas em desenvolvimento econômico, a perspectiva mais ampla do desenvolvimento humano foi abordada no evento com a apresentação do Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil.

O projeto do PNUD, realizado em parceria com o IPEA e a Fundação João Pinheiro, mapeou o país com mais de 200 indicadores socioeconômicos, com destaque para o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), revelando os avanços e os desafios dos mais de 5.500 municípios brasileiros em termos de desenvolvimento humano.

“Para atrair investimento, aumentar a produtividade e a competitividade, precisamos investir nas pessoas. São pessoas saudáveis, educadas e empoderadas que impulsionam a economia”, afirmou Rebeca Grynspan.

“Fico muito orgulhoso – e tenho certeza que a presidenta Dilma, se estivesse aqui, também ficaria – com o reconhecimento do PNUD e a parceria do PNUD na construção das políticas sociais deste país, das políticas de desenvolvimento”, afirmou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante o painel de encerramento do encontro.

II Fórum Mundial de Desenvolvimento Econômico Local

A segunda edição do fórum – a primeira realizada no Brasil – foi organizada pelo PNUD, Itaipu Binacional, Serviço Brasileiro de Apoio a Micro e Pequena Empresa (Sebrae) e Fundo Andaluz de Municípios para a Solidariedade Internacional (Famsi).

A iniciativa teve o apoio de Cidades e Governos Locais Unidos (CGLU) e a Associação Mundial de Regiões (ORU FOGAR).