Sesc promove cineclube para crianças refugiadas em SP

Em São Paulo, teve início no final de semana (2) a edição 2019 do CineClubinho, projeto do SESC que promove exibições mensais e gratuitas de filmes infantis para meninos e meninas refugiados. Mais de 50 crianças participam da iniciativa, realizada no CineSesc, no Jardim Paulista. O relato é da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).

Nour e seus filhos participam do CineClubinho, cuja agenda de 2019 segue até dezembro. Foto: ACNUR/Miguel Pachioni

Nour e seus filhos participam do CineClubinho, cuja agenda de 2019 segue até dezembro. Foto: ACNUR/Miguel Pachioni

Em São Paulo, teve início no final de semana (2) a edição 2019 do CineClubinho, projeto do SESC que promove exibições mensais e gratuitas de filmes infantis para meninos e meninas refugiados. Mais de 50 crianças participam da iniciativa, realizada no CineSesc, no Jardim Paulista. O relato é da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).

“É como se o aniversário delas fosse naquele dia”, diz Nour, mãe de quatro crianças que, desde o ano passado, acompanha as sabatinas de cinema.

Os filmes são escolhidos de forma criteriosa, contemplando variados recortes culturais. As obras exibidas são de diferentes países, inclusive do Brasil. O objetivo é propor uma imersão das crianças em temas como cidadania e pertencimento, de forma lúdica e promovendo o lazer educativo.

“Como as crianças refugiadas trazem com elas memórias e experiências de vida difíceis, em diferentes aspectos, a fantasia e o imaginário proporcionados pelo cinema são extremamente importantes para que sejam estimulados entre elas, ajudando, assim, a desconstruir percepções que as afligem no dia a dia”, diz Vivianne Reais, diretora da organização não governamental IKMR, parceira do ACNUR. A instituição trabalha especificamente com crianças refugiadas em São Paulo.

Os encontros do CineClubinho também promovem trocas entre as crianças e os pais e mães que frequentam as sessões. O ingresso, o transporte e a pipoca são por conta da casa. Na capital paulista, o acesso à cultura é muitas vezes restrito pelo orçamento familiar.

Monitores de atividades educativas do SESC interagem com crianças refugiadas antes da exibição do filme no CineClubinho. Foto: ACNUR/Miguel Pachioni

Monitores de atividades educativas do SESC interagem com crianças refugiadas antes da exibição do filme no CineClubinho. Foto: ACNUR/Miguel Pachioni

“Enxergamos o cinema como um espaço de convivência e de socialização. Este momento que propiciamos para as famílias refugiadas reforça justamente a importância de se fortalecerem, aprendendo cada vez mais a lidar com o diferente, sob uma perspectiva mais afetiva, em um ambiente de acolhimento, com estéticas, repertórios e linguagens diferentes”, afirma Gabriela Rocha, animadora cultural do CineSesc.

O jovem sírio Walid, de 15 anos, acompanhou suas quatro irmãs mais novas já pela quinta vez e diz que pretende vir novamente, embora esteja planejando se dedicar mais aos estudos em 2019.

“No ano passado, já fui muito bem na escola. Estou próximo de me formar e quero conseguir boas notas nos exames para ter uma profissão reconhecida e que me faça feliz”, conta o adolescente, que deseja trabalhar na área de tecnologia da informação ou de relações internacionais.

O ACNUR atua de forma articulada para integrar em seu plano de trabalho os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), incorporando essas metas da ONU para promover sociedades pacíficas, justas e inclusivas, livres do medo e da violência.

A iniciativa do SESC se relaciona diretamente com o ODS 4 – assegurar educação inclusiva, equitativa e de qualidade e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos.