Serviços de saúde devem ser mais acolhedores para os jovens e dar acesso a contracepção, diz UNFPA

Foto: UNAIDS

Serviços de saúde precisam ser mais acolhedores para os jovens e garantir acesso da juventude a métodos contraceptivos. No Brasil, 20% das mães têm menos de 19 anos e a gravidez na adolescência está muitas vezes associada à falta de projetos de vida, perpetuando ciclos intergeracionais de pobreza. Cerca de 40% das mães adolescentes abandonam a escola por causa da maternidade.

O alerta veio do representante do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) no Brasil, Jaime Nadal, durante comemoração na última terça-feira (20) do 18º aniversário do Adolescentro — instituição do Distrito Federal que leva atendimento multidisciplinar para jovens.

“Temos que criar as condições para que as novas gerações adquiram os conhecimentos e capacidades que permitam fazer escolhas voluntárias que potencializem o seu desenvolvimento saudável, o cuidado consigo e com as pessoas com quem se relacionam, englobando habilidades individuais, afetivo-relacionais, familiares e comunitárias”, destacou Nadal.

Também presente, a diretora de Saúde Mental da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, Ana Luísa Lamounier Costa, disse “nossa população adolescente é esquecida pelos serviços adultos, que não acolhem” e pediu mudanças.

Já o representante da Superintendência da Região de Saúde Centro-Sul, também da pasta do DF, Rodolfo Alves de Souza, destacou que o Adolescentro promoveu avanços no enfrentamento da violência, na humanização do tratamento dado a jovens e na capacitação de profissionais que lidam com esse público.

Parceria com a ONU

Durante as comemorações, Nadal e Ana Paula Tuyama, gerente do Adolescentro, lembraram que a parceria entre a instituição e o UNFPA começou em 2013, com o seminário internacional “Saúde, Adolescência e Juventude: promovendo a equidade e construindo habilidades para a vida”. O encontro reuniu especialistas e lideranças juvenis de 13 países que visitaram o Adolescentro para conhecer as experiências de Brasília na área de saúde.

Mais recentemente, no último dia 11 de julho, os dois organismos comemoraram o Dia Mundial da População com um evento que reuniu mais de 200 adolescentes e autoridades numa grande roda de conversa sobre o tema “Investir nas Adolescentes”.

As discussões priorizaram a busca pela autonomia de meninas na faixa etária dos 10 aos 19 anos.

Nadal ressaltou que o UNFPA trabalha para que meninas e jovens “possam buscar outros projetos de vida, que não passem necessariamente por uma gravidez precoce e não planejada”.

“Esse é o nosso desafio, trabalhar pela garantia de direitos, oportunidades e igualdade de gênero, raça e etnia, com acesso a insumos e serviços, sem discriminação e violência”, enfatizou o representante do Fundo da ONU.