Seis países e territórios caribenhos eliminam transmissão do HIV e sífilis de mãe para filho

Seis países e territórios caribenhos — Anguilla; Antígua e Barbuda; Bermudas; Ilhas Cayman; Montserrat; e São Cristóvão e Névis — foram certificados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como livres da transmissão do HIV e da sífilis de mãe para filho, a chamada transmissão vertical. Reconhecimento da eliminação foi anunciado na última sexta-feira (1º), Dia Mundial contra a AIDS.

Eliminação da transmissão vertical do HIV e da sífilis coloca Caribe no rumo certo para erradicar a AIDS como ameaça de saúde de pública até 2030. Foto: OPAS

Eliminação da transmissão vertical do HIV e da sífilis coloca Caribe no rumo certo para erradicar a AIDS como ameaça de saúde de pública até 2030. Foto: OPAS

Seis países e territórios caribenhos — Anguilla; Antígua e Barbuda; Bermudas; Ilhas Cayman; Montserrat; e São Cristóvão e Névis — foram certificados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como livres da transmissão do HIV e da sífilis de mãe para filho, a chamada transmissão vertical. Reconhecimento da eliminação foi anunciado na última sexta-feira (1º), Dia Mundial contra a AIDS.

“A eliminação é resultado de nosso forte compromisso político com a saúde pública e de tornar a saúde das mães, crianças e famílias uma prioridade regional”, disse o primeiro-ministro de São Cristóvão e Névis, Timothy Harris.

Ao longo dos últimos seis anos, o Caribe conseguiu reduzir em mais da metade as novas infecções por HIV entre crianças. “Essa é uma realização surpreendente, considerando as altas taxas de HIV no passado, e pretendemos aprimorar ainda mais essa história de sucesso no futuro”, acrescentou o dirigente.

Para conceder a certificação a Estados-membros das Américas, a OMS exige que os países registrem, por pelo menos dois anos consecutivos, um número máximo de 30 casos de novas infecções por HIV perinatais para cada 100 mil nascidos vivos. Quando avaliada a conjuntura para a sífilis congênita, o teto é de 50 casos. A taxa de transmissão materno-infantil do HIV deve ser de 2% ou menos.

Os países também devem alcançar indicadores elevados de penetração dos serviços de saúde. Cada nação deve ter 95% ou mais de todas as mulheres grávidas realizando ao menos uma visita médica de cuidados pré-natais; 95% ou mais de mulheres gravidas que vivem com HIV testadas para o vírus; 95% ou mais de mulheres grávidas atendidas em pré-natal testadas para a sífilis; e 95% ou mais de gestantes diagnosticadas com HIV ou sífilis em tratamento adequado.

Atualmente, no Caribe, 97% das mulheres realizaram ao menos um exame pré-natal ao longo da gestação, e 94% dos partos ocorreram em hospitais em 2016. No mesmo ano, 78% das grávidas foram testadas para HIV em 2016, 35% a mais do que em 2010. A OPAS estima que 74% — com uma margem de erro de 9% — das gestantes vivendo com HIV estejam sob tratamento antirretroviral. O número representa um crescimento de 64% na comparação com 2010.

O quadro regional de sífilis já apresentava avanços consideráveis — desde 2010, 80% das gestantes diagnosticadas com a doença recebem tratamento adequado. Também no mesmo período, foi diagnosticado apenas um caso de sífilis congênita para cada 10 mil nascidos vivos, de acordo com dados de 21 países.

Para Carissa Etienne, diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e diretora regional da OMS para as Américas, “esta eliminação é uma conquista notável, que coloca a região na vanguarda do esforço global para garantir que nenhuma criança nasça com HIV ou sífilis congênita”.

O diretor-executivo do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS), Michel Sidibé, também elogiou os esforços caribenhos.”Todos os países devem seguir esse exemplo e garantir que todas as crianças iniciem suas vidas sem HIV.”

Em 2015, Cuba, outra ilha do Caribe, tornou-se o primeiro país do mundo a receber a validação da OMS por ter eliminado a transmissão do HIV e da sífilis de mãe para filho. Posteriormente, a Tailândia e Belarus também foram reconhecidas por terem alcançado a dupla eliminação. A Armênia recebeu a certificação por eliminar a transmissão materno-infantil do HIV, e a Moldávia foi validada pela eliminação da sífilis congênita.

Saúde das crianças no Caribe

Desde o lançamento da Iniciativa Regional de Eliminação da Transmissão Vertical do HIV e da Sífilis Congênita na América Latina e no Caribe, em 2010, o número de novas infecções por HIV foi reduzido em 52% no Caribe entre as crianças, de 1,8 mil em 2010 para menos de mil em 2016. O programa é coordenado pela OPAS e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), com apoio de outros parceiros regionais.

Os casos relatados de sífilis congênita, entretanto, permanecem abaixo do objetivo — registrar até 50 casos por cada 100 mil nascidos vivos. Desde 2010, os episódios verificados não diminuíram e é provável que exista uma subnotificação de casos.

“A eliminação da transmissão do HIV e da sífilis de mãe para filho não é apenas um sonho, mas um objetivo alcançável”, defendeu Maria Cristina Perceval, diretora regional do UNICEF para a América Latina e o Caribe. “Hoje podemos dizer que estamos mais perto de garantir uma geração sem AIDS.”

Em 2016, 74% das mulheres caribenhas grávidas e vivendo com HIV tiveram acesso à terapia antirretroviral para proteger sua saúde e reduzir significativamente a possibilidade de transmitir o vírus aos seus filhos durante a gravidez, parto ou amamentação. Em 2010, o índice de mulheres sob tratamento era de 64%.

Segundo a OPAS, o aumento contribuiu para uma redução de 52% na taxa regional de transmissão do HIV de mãe para filho entre 2010 e 2016, que agora é de 9% — ainda maior do que a meta de 2%.

De acordo com o organismo regional, outras mudanças importantes foram a participação intensiva dos setores de saúde pública e privada, liderada pelos Ministérios da Saúde, na implementação de serviços integrados de saúde materna e infantil, com ênfase na cobertura universal e na qualidade dos cuidados pré-natais. A OPAS citou ainda a ampliação do fornecimento de testes para garantir a detecção precoce e o tratamento imediato para o HIV e a sífilis.

“A validação para a eliminação da transmissão do HIV e da sífilis de mãe para filho envia uma forte mensagem de que o Caribe está fazendo incursões notáveis para alcançar o objetivo de uma geração sem AIDS, e a realização se alinha diretamente com nossa visão e nossos objetivos”, disse Dereck Springer, diretor da Pan Caribbean Partnership against HIV and AIDS.

“A propagação da doença de mães para filhos está sendo interrompida, mas o status de eliminação deve ser mantido e outros países caribenhos devem fortalecer seus serviços com o objetivo de receber a validação da OMS”, acrescentou.