Seis milhões de sul-sudaneses passam fome extrema, alertam agências da ONU

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O Sudão do Sul enfrenta a maior crise de segurança alimentar de sua história, segundo as Nações Unidas. De fevereiro para cá, o número de pessoas que lutam para encontrar comida no país aumentou de 4,9 milhões para 6 milhões.

O Sudão do Sul enfrenta a maior crise de segurança alimentar de sua história, segundo as Nações Unidas. De fevereiro para cá, o número de pessoas que lutam para encontrar comida no país aumentou de 4,9 milhões para 6 milhões.

“O crescimento da insegurança alimentar foi impulsionado por conflitos armados, baixas colheitas e aumento dos preços dos alimentos, bem como os efeitos da estação anual da seca”, afirmaram três agências da ONU – a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e o Programa Mundial de Alimentos (PMA) – em uma declaração conjunta na semana passada (21).

De acordo com a atualização do Quadro Integrado de Classificação da Segurança Alimentar (IPC) – uma análise da ONU, do governo e de outros parceiros – nos condados de Leer e Mayandit, no estado de Unity, já não se aplicam mais a definição técnica de fome, que tinha sido declarada em fevereiro deste ano.

É provável que a assistência humanitária imediata e contínua tenha desempenhado um papel importante para prevenir que os condados de Koch e Panyijiar chegassem a níveis mais alarmantes.

Entretanto, a fome se agravou na região nordeste do país – na margem ocidental do rio Nilo – enquanto as populações no sudoeste enfrentam níveis de necessidade sem precedentes.

“A única maneira de acabar com essa situação desesperadora é cessar o conflito, garantir acesso sem obstáculos e permitir que as pessoas retomem seus meios de subsistência”, disse o diretor de emergências da FAO, Dominique Burgeon.

As três agências da ONU advertiram que as melhorias nos locais onde há maior fome não devem ser perdidas. A capacidade das pessoas de se alimentar foi severamente reduzida e a entrega de alimentos de emergência, bem como o apoio aos meios de subsistência, devem continuar para evitar que o cenário se agrave.

“As conquistas nos condados afetados pela fome mostram o que pode ser alcançado quando a assistência contínua chega às famílias. Mas o trabalho está longe de terminar”, disse a representante do PMA no Sudão do Sul, Joyce Luma. “Essa é uma crise que continua a piorar, com milhões de pessoas enfrentando a perspectiva de fome se a ajuda humanitária acabar. O fim deste conflito é imperativo.”

Cada uma das agências intensificou sua resposta. O PMA alcançou 3,4 milhões de pessoas no Sudão do Sul desde o início do ano, incluindo assistência para 2,6 milhões em deslocamento ou ou afetadas por conflitos.

O UNICEF e seus parceiros trataram cerca de 76 mil crianças em estado grave de desnutrição e forneceram água potável a 500 mil pessoas e acesso a instalações sanitárias a outras 200 mil.

Já a FAO forneceu kits de pesca e agricultura a mais de 2,8 milhões de sul-sudaneses, incluindo 200 mil nas áreas mais afetadas pela fome, e vacinou mais de 6 milhões de animais.

“Quando as agências humanitárias têm acesso e recursos, somos capazes de promover uma resposta rápida e forte para salvar vidas”, disse Mahimbo Mdoe, representante do UNICEF no Sudão do Sul. “No entanto, estima-se ainda que mais de um milhão de crianças no Sudão do Sul estão desnutridas”, alertou.

A insegurança alimentar é uma questão fundamental, assim como a falta de cuidados de saúde, falta de água e saneamento e, sobretudo, o acesso a tratamento. Atualmente, várias partes do país permanecem sem ajuda, deixando milhares de crianças à beira de uma catástrofe.

(Foto de capa do vídeo: pessoas deslocadas pelo conflito aguardam registro para distribuição de alimentos em Pathai, assentamento no estado de Jonglei. Foto: UNICEF / Jacob Zocherman)


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