Segurança será o grande desafio do Afeganistão nos próximos meses

O país se prepara para sediar uma conferência internacional em agosto e eleições parlamentares em setembro. De acordo com Staffan de Mistura, representante local da ONU, segurança é o principal desafio.

Mina terrestre no Afeganistão, herança de 20 anos de conflitos. Foto: ONUA segurança será o grande desafio do Afeganistão nos próximos meses, de acordo com o Representante Especial do Secretário-Geral e chefe da Missão de Assistência das Nações Unidas para o Afeganistão (UNAMA), Staffan de Mistura.

Ele declarou ao Conselho de Segurança que este é, de fato, um ano crucial para o Afeganistão. Mistura visitou o país para avaliar pessoalmente o progresso na semana passada. “É um ano em que estamos tentando, junto com as autoridades e o povo afegão, alcançar uma forma de estabilizar a situação”.

No início deste mês, o governo acolheu a “Jirga da Paz” (como ficou conhecida), reunião com caráter consultivo, que reuniu 1.600 participantes de todo o país e resultou em um comunicado apoiando a iniciativa do presidente Hamid Karzai de convocar um diálogo nacional sobre as formas de restaurar a paz. No próximo dia 20 de julho, ocorrerá a Conferência de Cabul, na qual se espera que seja apresentado um plano para melhorar o desenvolvimento, o governo e a segurança.

Segundo o Representante Especial do Secretário-Geral, o objetivo principal da conferência é estimular a confiança em um “contrato público entre o governo e o povo afegão” e promover melhorias sociais e econômicas. “Não esperamos que a comunidade internacional traga novos fundos ao encontro, mas que realinhe os recursos que já alocaram no Afeganistão para as principais prioridades do país”.

De acordo com ele, a UNAMA deciciu adotar um estratégia “Três mais um”, com foco no apoio às eleições, estimulando o dialógo nacional, encorajando alianças regionais e, ainda, se concentrando na coerência e na coordenação da assistência.

O Secretário-Geral e muitos ministros estrangeiros são esperados no evento, que será co-presidido pela ONU e seguirá a Conferência de Londres – ocorrida em janeiro e que contou com a aprovação de uma estratégia conjunta de transição para uma maior responsabilidade do Afeganistão para assuntos nacionais.

Em seu último relatório sobre o Afeganistão, Ban expressou que, embora tenha presenciado um grande número de desenvolvimentos positivos recentemente, a situação da segurança global não melhorou e continua instável, apesar do considerável crescimento e dos planos de reforma para o desenvolvimento das Forças Nacionais de Segurança do Afeganistão.

Em entrevista ao Centro de Notícias da ONU, Mistura disse que a segurança deve ser um foco importante para o governo afegão e acrescentou que outra prioridade deveria ser o desenvolvimento social e econômico, particularmente a criação de empregos e oportunidades para os jovens, que compõem 40% da população do país. “Eles precisam sentir que o futuro é possível. Senão, podem se sentir tentados a ir para o lado errado”.

Apesar de a segurança global não ter melhorado nos últimos meses, a ONU tem uma presença contínua com mais de mil funcionários internacionais e 6 mil funcionários nacionais em 21 localidades ao redor do Afeganistão. “Nossa intenção é estar próximo aos afegãos, sobretudo nesse período crítico e nesse ano crucial. Naturalmente, o desafio permanece sendo a segurança”, concluiu o chefe da UNAMA.