Segurança e condições humanitárias pioram no sudeste do Níger, alerta ACNUR

A segurança e as condições humanitárias estão se deteriorando no sudeste do Níger, onde centenas de milhares de pessoas se estabeleceram após fugirem do grupo armado Boko Haram, disse o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR).

Refugiados nigerianos chegam ao campo de Sayam Forage, próximo à cidade de Diffa. Foto: ACNUR

Refugiados nigerianos chegam ao campo de Sayam Forage, próximo à cidade de Diffa. Foto: ACNUR

A segurança e as condições humanitárias estão se deteriorando no sudeste do Níger, onde centenas de milhares de pessoas se estabeleceram após fugirem do grupo armado Boko Haram, disse na semana passada (24) o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR).

De acordo com dados do governo divulgados em meados de maio, a região e as redondezas da cidade de Diffa estão abrigando mais de 250 mil pessoas, incluindo refugiados da Nigéria, pessoas deslocadas no interior do Níger e nigerianos que estão retornando ao país.

Desse contingente, 157 mil pessoas que fugiram do Boko Haram se estabeleceram em 135 acampamentos improvisados ao longo dos 200 km da Estrada Nacional 1, estrada principal que corre paralela à fronteira do Níger com a Nigéria e com o rio Komadougou.

Segundo Adrian Edwards, porta-voz do ACNUR, as condições de vida ao longo dessa estrada são difíceis. “Nesse ambiente remoto e semi-deserto, as temperaturas estão atingindo 48 graus na estação de seca atual, e as chuvas que se seguirão em dois ou três meses muitas vezes deixam os assentamentos em ruínas”, disse.

Ainda de acordo com o porta-voz da agência da ONU, os abrigos são feitos de palha e saneamento é precário, com poucas latrinas e chuveiros.

Além disso, muitas crianças não têm acesso à educação por causa das limitações das escolas nas aldeias vizinhas, que já estão superlotadas, e por conta do fechamento de unidades escolares em áreas inseguras perto da fronteira.

Os suprimentos de alimentos também são irregulares e a população local nem sempre é capaz de compartilhar seus poucos recursos com as pessoas deslocadas.

A situação de segurança no arredores das cidades Diffa e Bosso, a leste, tem se deteriorado nos últimos meses, com uma sucessão de incidentes criminais, incluindo ataques suicidas perto de aldeias e locais improvisados onde os refugiados nigerianos e os deslocados internos estão abrigados.

Dois grandes mercados ao longo da Estrada Nacional 1 estão fechados, desde abril, devido ao medo que se infiltrou dos ataques do grupo armado. O toque de recolher está em vigor em toda a região, que está sob um estado de emergência desde fevereiro de 2015.

As agências de ajuda estão lutando para levar assistência aos refugiados. Dos 112 milhões de dólares solicitados por 22 agências, incluindo o ACNUR, para as operações assistência na região de Diffa em 2016, apenas 20 milhões foram recebidos até o momento.

Há dez dias, a pedido do governo, o ACNUR começou a relocar centenas de refugiados de dois locais improvisados ao longo Estrada Nacional 1 para um campo a cerca de 50 km da fronteira.

Embora a maioria das pessoas prefira viver fora dos campos, algumas decidem se deslocar por razões de proteção e de acesso a alimentos e serviços adequados.


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