Secretário-Geral saúda esforços do Uzbequistão em ajuda a civis que fogem do Quirguistão e fala sobre a crise

Ban Ki-moon expressou seu agradecimento aos esforços do Uzbequistão para resolver a crise no vizinho Quirguistão, onde a situação de segurança é frágil, dias após confrontos inter-étnicos entre quirguizes e a minoria uzbeque estourar.

Refugiadas uzbeques na fronteira do Uzbequistão com o Quirguistão. Foto: UN/EPA.O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, expressou seu agradecimento aos esforços do Uzbequistão para resolver a crise no vizinho Quirguistão, onde a situação de segurança é frágil, dias após confrontos inter-étnicos entre quirguizes e a minoria uzbeque estourar.

O Governo do Uzbequistão estima que o equivalente a 75 mil pessoas do Quirguistão tenham cruzado a fronteira procurando refúgio em seu território desde que os confrontos étnicos começaram. O Programa Mundial de Alimentos da ONU (PMA ou WFP, na sigla em inglês) está se posicionando para funcionar de acordo com as necessidades de ambos os países e lançou uma operação de emergência para fornecer logística e alimentação para civis atingidos pela crise. De acordo com a Diretor Executivo do Programa, Josette Sheeran, o PMA está mobilizando sua experiência global para assegurar que os mais vulneráveis, principalmente mulheres e crianças, não sofram.

A agência observou que transportar o auxílio da capital Bishkek é difícil, pois as estradas não são seguras e as empresas caminhoneiras estão relutantes devido aos riscos. O PMA tem atualmente 3 mil toneladas de alimentos pré-posicionados no Quirguistão, o suficiente para alimentar 87 mil pessoas por 2 meses.

O Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR) ofereceu sua assistência às autoridades do Uzbequistão que estão lidando com as necessidades dos deslocados. O porta-voz da agência, Andrej Mahecic, afirmou a jornalistas em Genebra que o primeiro dos seis voos de carga, cada qual com 40 toneladas de suprimentos do ACNUR de seu estoque na central de emergência em Dubai, deixou a cidade esta quarta-feira (16) pela manhã.

O primeiro vôo fretado pelo ACNUR será carregado com 800 tendas leves para atender à necessidade crescente de abrigos, segundo Mahecic. Os cinco voos seguintes estão equipados com cobertores, colchonetes, material de cozinha e lonas de plástico para abrigos de emergência. Além disso, parte da equipe de emergência que inclui oficiais de campo, especialistas em operações, planejamento local e logística viajou nesta terça-feira (15) para o Quirguistão.

Ban Ki-moon conversa com líderes sobre crise

Um jovem trabalhador descarrega suprimentos do ACNUR no aeroporto de Andijan, no Uzbequistão. Foto: UN.Ban discutiu a crise no Quirguistão e o sofrimento da etnia uzbeque em telefonema com o Presidente Islam Karimov, do Uzbequistão. Ele aproveitou para agradecer o líder por conceder ao Coordenador Residente da ONU em Tashkent acesso aos campos de refugiados para avaliar as necessidades.

O Secretário-Geral disse a Roza Otunbaeva, chefe do governo interino do Quirguistão, que a ONU está coordenando junto com outras organizações uma resposta à crise, que já contabiliza quase 180 mortos, pelo menos 1.870 feridos e cerca de 75.000 deslocados em consequência dos confrontos étnicos entre Quirguistão e uzbeques que eclodiu semana passada. Em ligação ao ministro das Relações Exteriores da Rússia Sergei Lavrov, Ban expressou profunda preocupação com a violência, especialmente dado seu caráter inter-étnico. Ele também agradeceu à Rússia por seus esforços em resolver a situação humanitária.

O Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) informou nesta quarta-feira (16) que a segurança em Osh, cidade no sul do Quirguistão, continua frágil, enquanto persistem focos de violência em torno de algumas aldeias vizinhas. O OCHA acrescentou que houve pouca mudança na situação nas zonas fronteiriças do Quirguistão com o Uzbequistão, onde existem várias concentrações de uzbeques deslocadas internamente, especialmente na província Jalal-Abad.

Neal Walker, Representante Residente das Nações Unidas no Quirguistão, disse que muitos dos deslocados moveram-se para fora do centro da cidade de Osh e para cidades menores, onde estão morando com familiares ou amigos. “Os que mais preocupam estão no centro da cidade, onde a comida é muito escassa, o abastecimento de água é intermitente e não há muita energia, gasolina ou diesel, tampouco transportes públicos”, afirmou Walker à Rádio ONU.