Secretário-geral lança estratégia para combater abuso sexual na ONU

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O secretário-geral da ONU, António Guterres, lançou nesta quinta-feira (9) um relatório sobre medidas especiais para a proteção contra exploração e abuso sexual na Organização. O documento deverá ser analisado pela Assembleia Geral das Nações Unidas.

“Tais atos de crueldade nunca deveriam ocorrer. Certamente, nenhuma pessoa servindo às Nações Unidas deve ser associada a tais crimes repugnantes e cruéis”, disse o secretário-geral em mensagem de vídeo.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, lançou nesta quinta-feira (9) um relatório sobre medidas especiais para a proteção contra exploração e abuso sexual na Organização. O documento deverá ser analisado pela Assembleia Geral das Nações Unidas.

Durante sua primeira semana no cargo, em janeiro deste ano, Guterres criou uma força-tarefa, liderada pela coordenadora especial Jane Holl Lute, para desenvolver de forma urgente uma estratégia para atingir medidas visíveis e mensuráveis na forma com a qual a ONU previne e responde a casos de exploração e abuso sexual.

“Tais atos de crueldade nunca deveriam ocorrer. Certamente, nenhuma pessoa servindo às Nações Unidas deve ser associada a tais crimes repugnantes e cruéis”, disse o secretário-geral em mensagem de vídeo.

O relatório enfatiza que casos de exploração e abuso sexual devem ser combatidos não somente nas Forças de Paz, mas na Organização como um todo. É, portanto, imperativo que as Nações Unidas enfrentem esse problema por meio de uma abordagem ampla, afirmou.

O secretário-geral reconheceu que “a maioria das tropas e dos funcionários da ONU serve com orgulho, dignidade e respeito à população a qual assistem e protegem, frequentemente em condições perigosas e difíceis, à custa de importantes sacrifícios pessoais”.

No entanto, ele acrescentou que a “Organização continua lutando contra o flagelo da exploração e do abuso sexual, apesar dos grandes esforços de anos para combatê-lo”.

O relatório defende a implementação de uma estratégia centrada na vítima e baseada em transparência, confiabilidade e na garantia de justiça. A iniciativa deve ter quatro pontos centrais: colocar os direitos e a dignidade das vítimas no centro dos esforços da Organização; estabelecer maior transparência nos relatos e nas investigações, em um esforço para acabar com a impunidade daqueles considerados culpados por abuso e exploração sexual; construir uma rede com diversos atores para apoiar os esforços da ONU para prevenir e responder a esses crimes; alertar sobre o tema e disseminar melhores práticas.

De acordo com a Organização, os crimes de exploração e abuso sexual estão profundamente enraizados na desigualdade de gênero e na discriminação. O secretário-geral disse estar convencido de que um número cada vez maior de mulheres trabalhando na ONU, incluindo nas Forças de Paz, ajudaria a avançar nos esforços da ONU em prevenir e responder a esses crimes.

A nova abordagem do secretário-geral também busca construir uma parceria com os Estados-membros. O chefe da ONU também pede que todas as partes busquem esse objetivo juntas. “Façamos isso em nome de todos aqueles que buscam as Nações Unidas por proteção e apoio — e em nome de dezenas de milhares de funcionários da ONU no mundo que entregam essa assistência com coragem e compromisso com os mais altos ideais”.

O secretário-geral também se declarou comprometido com a implementação dessa estratégia, e instruiu todos os líderes da Organização a tomar ações imediatas. “Devemos isso às pessoas que servimos, a todas aquelas mulheres, homens e crianças que veem a bandeira da ONU como um símbolo de algo sem preço e intangível: esperança”.

Acesse aqui o relatório completo (em inglês): http://bit.ly/2lHQ0PO.


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