Secretário-geral da ONU pede solução política para o conflito na Síria em evento da Liga Árabe

Ban alertou para o risco de toda a região se envolver na crise e pediu à Liga Árabe – em colaboração com Rússia, Estados Unidos e União Europeia – para ampliar seus esforços nas conversas de paz.

Refugiados sírios chegam ao Líbano após fugirem de suas casas no oeste da Síria. Foto: ACNUR/A.McConnell

A comunidade internacional tem o dever de contribuir para o fim da tragédia na Síria, afirmou o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, durante a 25º sessão ordinária da Liga dos Estados Árabes. Ele também enfatizou que o conflito “só pode ser resolvido através de uma ação política”, não de uma abordagem militar.

Na declaração do secretário-geral, que foi compartilhada com pelo representante especial conjunto da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Lakhdar Brahimi, Ban agradeceu aos membros da organização árabe por terem acolhido mais de 2,5 milhões de refugiados e arcado com os altos custos da tragédia humana causada pela guerra.

“A crise síria”, lembrou, “chega agora ao seu quarto ano. A população continua enfrentando um terrível sofrimento, inclusive violações patentes dos direitos humanos. Centenas morrem todos os dias, e milhões estão deslocados”.

Após lembrar que o conflito está tendo um grande impacto nos países vizinhos, Ban alertou para o risco de toda a região se envolver na crise e pediu à Liga Árabe – em colaboração com a Rússia, Estados Unidos e a União Europeia – para ampliar seus esforços na atual Conferência de Genebra II, onde membros do governo sírio e opositores tentam chegar a um acordo sobre a situação.

Genebra II tem o objetivo de implementar o plano de ação aprovado em Genebra I, o primeiro encontro internacional sobre o conflito, incluindo a realização de eleições livres e justas por um governo de transição.

Nas duas primeiras rodadas de negociação no início deste ano – a primeira em janeiro e a segunda em fevereiro –, governo e oposição sírios não abriram mão de suas posições, concordando apenas com uma modesta cooperação para facilitar o acesso da ajuda humanitária às áreas sitiadas por rebeldes na cidade de Homs.

“É essencial que os líderes regionais estejam unidos para encorajar um retorno às negociações”, concluiu o secretário-geral.