Secretário-Geral da ONU pede que Iraque resolva impasses internos e pendências com o Kuweit

Ban Ki-moon visitou os dois países, onde se reuniu com líderes nacionais para tratar de questões pendentes desde a Guerra do Golfo.

Secretário-Geral, Ban Ki-moon, e o primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, durante coletiva de imprensa em Bagdá. Foto: UNAMI / Sarmad Al-SafyEm encontro com líderes iraquianos na quinta-feira (6), o Secretário-Geral da ONU levantou preocupações sobre as divisões políticas no país, ao mesmo tempo em que reiterou seu chamado para que o país reate plenamente os laços com o Kuweit, onde Ban esteve um dia antes.

Ban Ki-moon se referiu a um impasse político em curso envolvendo muçulmanos xiitas, sunitas e curdos. Ele também falou sobre as divergências em relação aos territórios disputados no norte do país, onde as divergências ligadas ao petróleo e aos direitos sobre a terra entre o governo iraquiano e o Governo Regional do Curdistão vieram à tona.

Sobre a questão das relações entre o Iraque e o Kuweit, o chefe da ONU exortou os países a “inaugurar uma nova era de cooperação”. O Kuweit foi invadido em 1990 pelo Iraque ainda sob o governo de Saddam Hussein. A ocupação foi contida por uma coalizão apoiada pela ONU, mas até hoje existem algumas obrigações pendentes entre os dois países, que incluem a demarcação de fronteira, bem como a compensação para agricultores deslocados para que se crie uma “terra de ninguém” de cada lado da fronteira.

“Acima de tudo, eu me preocupo que a polarização política crescente possa atiçar a violência sectária e reverter os preciosos ganhos de segurança contra o terrorismo nos últimos anos”, destacou Ban Ki-moon, que pediu aos líderes que resolvam suas diferenças no espírito do diálogo e da Constituição estabelecida após a queda de Hussein.

O Secretário-Geral também chamou a atenção para as eleições de conselhos provinciais do ano que vem. “Eleições críveis são cruciais para a consolidação da transição democrática”.

Além disso, Ban lembrou que, apesar de avanços, as mulheres ainda são marginalizadas no país e pediu que as autoridades tomem medidas para aumentar a participação feminina na sociedade.

Ele também fez um apelo para que as fronteiras iraquianas fiquem abertas às pessoas que buscam refugio da violência na vizinha Síria.