Secretário-geral da ONU manifesta preocupação com situação no nordeste da Síria

O secretário-geral da ONU, António Guterres, manifestou nesta terça-feira (8) “grande preocupação” com as recentes declarações políticas a respeito da situação no nordeste da Síria, após o anúncio dos Estados Unidos no início da semana de que retirará tropas da área próxima à fronteira com a Turquia.

Guterres pediu a todas as partes que exercitem o máximo de contenção, segundo comunicado divulgado por seu porta-voz. Ele enfatizou sua preocupação com os riscos que possíveis ações militares na região possam ter para civis, após anúncio no Twitter feito no domingo (6) pelo presidente norte-americano, Donald Trump.

Gêmeos de nove meses, junto com sua mãe e dois irmãos, fugiram da violência no vilarejo de Susa, no nordeste da Síria. Foto: UNICEF/Hasen

Gêmeos de nove meses, junto com sua mãe e dois irmãos, fugiram da violência no vilarejo de Susa, no nordeste da Síria. Foto: UNICEF/Hasen

O secretário-geral da ONU, António Guterres, manifestou nesta terça-feira (8) “grande preocupação” com as recentes declarações políticas a respeito da situação no nordeste da Síria, após o anúncio dos Estados Unidos no início da semana de que retirará tropas da área próxima à fronteira com a Turquia.

Guterres pediu a todas as partes que exercitem o máximo de contenção, segundo comunicado divulgado por seu porta-voz. Ele enfatizou sua preocupação com os riscos que possíveis ações militares na região possam ter para civis, após anúncio no Twitter feito no domingo (6) pelo presidente norte-americano, Donald Trump.

As forças norte-americanas atuam ao lado de combatentes curdos no norte da Síria há anos como aliados-chave na luta contra o grupo extremista Estado Islâmico, que já ocupou grandes áreas da região. A retirada das tropas despertou preocupações em relação à segurança dos combatentes curdos, em meio a relatos de um ataque de tropas turcas na fronteira, que consideram a milícia curda como terrorista.

O presidente Trump disse via Twitter nesta terça-feira que os EUA não “abandonariam” os curdos, referindo-se a eles como “pessoas especiais e combatentes maravilhosos”, acrescentando que qualquer combate desnecessário seria devastador para a economia turca.

O secretário-geral disse ainda que os civis e a infraestrutura da região, que já passou por mais de oito anos de conflito, precisam “estar sempre protegidos”, acrescentando que “o acesso humanitário sustentado, desimpedido e seguro aos civis necessitados deve ser garantido para (permitir) que as Nações Unidas e seus parceiros humanitários realizem seu trabalho essencial no norte da Síria”.

Ele reiterou “que não há solução militar para o conflito sírio”.

Segundo o comunicado, “a única solução sustentável é um processo político facilitado pela ONU de acordo com a resolução 2254 do Conselho de Segurança”, referindo-se ao roteiro de 2015 do Conselho para o processo de paz da Síria.

Novo Comitê Constitucional

Após anos de negociação, o lançamento de um Comitê Constitucional confiável para a Síria, anunciado no mês passado pelo chefe da ONU, deve ser visto como o início de um processo político para acabar com o conflito no país, de acordo com comunicado emitido pelo Conselho de Segurança nesta terça-feira.

Em uma declaração, o sul-africano Jerry Matthews Matjila, que preside o Conselho em outubro, cumprimentou as informações sobre a formação do Comitê, saudando o anúncio do secretário-geral em 23 de setembro sobre o acordo entre o governo da Síria e a Comissão de Negociações Sírias sobre um Comitê Constitucional “confiável, equilibrado e inclusivo”.

O Conselho reafirmou seu forte apoio aos esforços do enviado especial da ONU, bem como à iniciativa das Nações Unidas de convocar a primeira reunião do Comitê em Genebra antes do final do mês.

O conflito na Síria só pode ser resolvido com a implementação completa da resolução 2254 do Conselho de Segurança, destacou o Conselho em sua declaração.