Secretário-Geral da ONU faz balanço do trabalho da Organização em 2012

Em coletiva de imprensa, Ban destacou os progressos e desafios encontrados pelas Nações Unidas e a comunidade internacional ao longo dos últimos 12 meses.

“Os ganhos de 2012 nos permitirão mais avanços nos próximos anos. Aproveitamos algumas oportunidades, mas perdemos outras. Muito de nosso progresso se perdeu nos conflitos ou permanece frágil por falta de investimento e compromisso. Há muito pouca ênfase na prevenção em pessoas e em cidadania global. Muito frequentemente, o pensamento de curto prazo supera a visão de longo prazo.”

Essas foram algumas das observações feitas hoje (19) pelo Secretário-Geral da ONU em sua coletiva de fim de ano, durante a qual destacou os progressos e desafios encontrados pelas Nações Unidas e a comunidade internacional ao longo dos últimos 12 meses.

“Um ano tumultuado está chegando ao fim. 2012 viu tensão da Síria ao Sahel, e do leste da RD Congo até a Península Coreana”, lembrou Ban Ki-moon aos jornalistas. “Ao mesmo tempo, as Nações Unidas ajudaram a estabelecer as bases para o progresso no principal desafio do século 21: o desenvolvimento sustentável”, acrescentou.

Síria

Sobre o conflito que já matou mais de 20 mil pessoas e fez com que mais de meio milhão deixassem as suas casas, desde que começou há 21 meses, Ban destacou o papel dos países vizinhos ao receberem os refugiados. O Secretário-Geral reforçou o pedido de 1,5 bilhão de dólares lançado hoje pela ONU para cobrir os custos da ajuda humanitária nos próximos seis meses para os afetados pelo conflito, dentro e fora do território sírio.

“Os países vizinhos enfrentam um enorme fardo financeiro”, ressaltou Ban, pedindo mais contribuições da comunidade internacional, além de apoio aos esforços de mediação do Representante Especial Conjunto das Nações Unidas e da Liga dos Estados Árabes para a Síria, Lakhdar Brahim, que tem se comprometido a encontrar uma “solução pacífica e política” para o conflito.

Sahel

A região africana que se estende do Oceano Atlântico ao Mar Vermelho passa por uma crise que envolve 9 países e cerca de 20 milhões de pessoas, descrita pelo Secretário-Geral como “uma mistura volátil de fome, seca, má governança, tráfico de drogas, terrorismo e extremismo”.

Ele fez menção especial à situação “urgente” do Mali. Desde o início do ano, o país enfrenta uma grave crise humanitária, política e de segurança. Combates entre forças governamentais e rebeldes tuaregues eclodiram no norte do país em janeiro e, em seguida, radicais islâmicos tomaram o controle da área. A instabilidade tomou conta do país, que ainda enfrenta a seca, após um golpe militar em março.

Na semana passada, o Secretário-Geral e o Conselho de Segurança pediram o fim da interferência militar na política maliana, após a prisão do Primeiro-Ministro por membros das forças armadas do país, o que levou à sua renúncia e à demissão do Governo.

“Temos de fazer tudo o que pudermos para ajudar a restaurar a democracia maliana, recuperar seu território, resolver a crise humanitária e acabar com as chocantes violações dos direitos humanos”, declarou Ban, que também elogiou a nomeação de um novo Primeiro-Ministro e destacou que o diálogo deve ser buscado, mesmo com opções de intervenções militares sendo estudadas.

O Secretário-Geral também lembrou a situação da República Democrática do Congo (RDC), que continua a ser cenário de instabilidade, incluindo a violência sexual cometida por combatentes tanto das Forças Armadas nacionais quanto de grupos armados rebeldes que atuam no país.

“Chegou o momento da comunidade internacional repensar sua abordagem para a RDC e a região dos Grandes Lagos. As causas subjacentes do conflito na região devem ser abordadas de uma forma global”, afirmou Ban.

República Popular Democrática da Coreia

Referindo-se ao recente lançamento de um foguete “provocador” pela Coreia do Norte, o Secretário-Geral observou que o ato tinha levantado preocupações regionais e desafiado a comunidade internacional. Ele disse ainda esperar uma resposta adequada que virá após as consultas do Conselho de Segurança. Além disso, ele pediu aos novos líderes da região para darem prioridade à “construção de um futuro mais próspero baseado na estabilidade e a resolução pacífica de conflitos”.

Paquistão

Ban Ki-moon também condenou “nos termos mais fortes” as recentes mortes de trabalhadores de saúde no Paquistão, classificando-as de cruéis, sem sentido e indesculpáveis.

Oriente Médio

Sobre o conflito entre palestinos e israelenses, Ban definiu a situação como mais polarizada do que nunca, com a solução dos dois Estados mais longe do que em qualquer momento desde o início do processo em 1993, em Oslo (Noruega). Ele pediu a Israel que pare de expandir seus assentamentos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental – território palestino de acordo com tratados internacionais – para que se possa retomar o diálogo na região, antes que seja tarde demais.

Processos de transição

O Secretário-Geral mencionou as transições políticas pelas quais estão passando Líbia, Mianmar, Somália, Iêmen e Serra Leoa, bem como o Timor-Leste, onde a ONU encerra sua missão integrada no final de 2012. Ban demonstrou preocupação com o momento crítico que vive o Egito, em razão de discordâncias sobre o texto da nova Constituição.

Desenvolvimento Sustentável

Ban Ki-moon destacou as medidas importantes tomadas pelas Nações Unidas ao longo do ano para promover o progresso econômico e social e para a construção de bases sólidas para a paz a longo prazo. Ele citou a adoção pelos Estados-Membros da ONU, em setembro, de uma declaração histórica sobre o Estado de Direito, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) e a Conferência sobre Mudança Climática em Doha (Catar) como exemplos.

O Secretário-Geral disse estar esperançoso com os compromissos firmados nestes encontros e ressaltou que os primeiros passos foram dados este ano para a construção de uma agenda pós-2015, quando se encerra o prazo para o cumprimento das metas de redução da pobreza da ONU, os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM).

Assista a coletiva de imprensa do Secretário-Geral da ONU: