Secretário-geral da ONU enfatiza responsabilidade da comunidade internacional na luta contra o ebola

Ban sugeriu a criação de um corpo médico de prontidão, similar ao funcionamento dos capacetes-azuis, para agir em casos de emergência no âmbito da saúde mundial.

Campanha de conscientização para proteção contra Ebola na África. Foto: OMS/C. Banluta.

Campanha de conscientização para proteção contra Ebola na
África. Foto: OMS/C. Banluta.

“O mundo pode e deve parar o Ebola – agora”, declarou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, aos líderes mundiais em reunião especial desta quinta-feira (25) para acelerar a reação global aos surto que passou de uma crise de saúde pública para uma ameaça à paz e à segurança.

A diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margaret Chan, ressaltou a necessidade de ação imediata e eficiente contra o vírus que vem atingindo países como Guiné, Libéria e Serra Leoa com altos índices de fatalidade – 2,917 pessoas mortas desde 21 de setembro, de acordo com a OMS – que transforma do fenômeno na mais severa emergência de saúde pública da modernidade.

Em seu pronunciamento, Ban afirmou que a crise do ebola evidencia a necessidade de reforçar sistemas de identificação de doenças e de ação prévia em atendimentos de saúde. O secretário-geral sugeriu a criação de corpos médicos de prontidão, que trabalharia sob a perícia da OMS e a capacidade logística das Nações Unidas.

“Assim como nossas tropas de capacetes-azuis ajudam a manter as pessoas seguras, um corpo de ‘jalecos brancos’ ajudaria a manter as pessoas saudáveis”, disse.

O vice-secretário-geral das Nações Unidas, Jan Eliasson, parabenizou Cuba pelo rápido envio de médicos em resposta ao surto na África Ocidental. O Ministro Federal das Relações Externas da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, anunciou cerca de 2 mil voluntários à disposição do combate ao ebola, enquanto o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, disse que o país está trabalhando na vacina contra o vírus.

Já o presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, advertiu sobre as consequências de não responder a este desafio a tempo, declarando que se nada for feito o mundo assistirá ao “potencial colapso” do continente africano.

Recentemente, o governo do Brasil anunciou uma doação de US$ 450 mil, o equivalente a mais de R$ 1 milhão, para combater o ebola. O dinheiro irá reforçar as ações da OMS para conter a doença.