Secretário-geral da ONU convoca reunião com líderes mundiais para debater combate ao ebola

Um estudo recém-divulgado prevê um aumento exponencial nas próximas semanas caso não sejam tomadas medidas rápidas para controlar o surto na África.

Duas parteiras usam equipamento de proteção contra Ebola para cuidar de uma mãe com seu bebê recém-nascido em uma clínica em Monrovia, Libéria. Foto: UNFPA Libéria

Duas parteiras usam equipamento de proteção contra o ebola para cuidar de uma mãe com seu bebê recém-nascido em uma clínica em Monróvia, na Libéria. Foto: UNFPA Libéria

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, anunciou nesta terça-feira (23) que convocará um encontro com líderes mundiais na próxima quinta-feira (25) na sede da ONU para pedir cooperação no combate à propagação do vírus. Um estudo recém-divulgado prevê um aumento exponencial nas próximas semanas caso não sejam tomadas medidas rápidas para controlar o surto na África.

Segundo estatísticas da Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 5.800 pessoas ficaram doentes e mais de 2.800 foram mortas pelo vírus ebola até o momento. A OMS estima que se nada for feito, mais de 20 mil pessoas serão infectadas até novembro.

“Este encontro vai focar a atenção de líderes de todo mundo ao combate ao surto da ebola”, anunciou Ban em um comunicado à imprensa. “O objetivo é encontrar uma solução para conter e impedir a disseminação do vírus, tratar as pessoas infectadas, assegurar os serviços essenciais, preservar a estabilidade e prevenir o surto em outros países”, complementou.

Entre os participantes estarão os líderes dos três países mais afetados pela doença — Guiné, Libéria e Serra Leoa. Ban Ki-moon também anunciou a nomeação de David Nabarro como seu enviado especial para o ebola e Anthony Banbury como representante especial e chefe da Missão das Nações Unidas de Resposta Emergencial ao Ebola (UNMEER).

Nabarro proporcionará orientação estratégica e política para uma ação internacional muito maior e irá promover o apoio essencial para as comunidades e países afetados. Banbury garantirá, no comando da UNMEER, uma intervenção rápida e eficaz para o surto do vírus. Segundo a OMS, a atual epidemia é a maior, mais grave e mais complexa na história.

O representante adjunto especial do secretário-geral para a Recuperação e Governança, Antonio Vigilante, afirmou que a crise do ebola continua se espalhando e piorando a cada dia na Libéria. “A falta de médicos especializados persistiu por muito tempo, o que prejudicou o tratamento por ser uma doença que exige uma prestação de cuidados específicos”, explica.  

O Programa Mundial de Alimentos (PMA) observou que o ebola não é apenas uma crise de saúde, pois gerou graves consequências sociais e econômicas que podem se espalhar para muito além dos países afetados.

Recentemente, o governo do Brasil anunciou uma doação de US$ 450 mil, o equivalente a mais de R$ 1 milhão, para combater o ebola. O dinheiro irá reforçar as ações da OMS para conter a doença.