Secretário-geral da ONU condena violência na capital da República Centro-Africana

Manifestando preocupação com a retórica inflamada em meio à disseminada violência em Bangui, capital da República Centro-Africana (RCA), o secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu que todos os atores permaneçam calmos e trabalhem juntos para construir a paz no país.

Em meio à violência, uma igreja foi atacada e um pastor assassinado. Dois membros da Missão de Paz das Nações Unidas na República Centro-Africana (MINUSCA) também ficaram feridos quando foram apedrejados por uma multidão.

Segundo publicação no Twitter do comandante do Exército brasileiro, general Eduardo Villas Bôas, dois observadores militares brasileiros ficaram feridos na ocasião. Um dos boinas-azuis foi submetido na quarta-feira (2) a uma cirurgia em Kampala, Uganda, e passa bem. O segundo também passa bem e segue na missão, de acordo com o general.

Capacetes-azuis da MINUSCA patrulham a capital da República Centro-Africana, Bangui. Foto: MINUSCA

Capacetes-azuis da MINUSCA patrulham a capital da República Centro-Africana, Bangui. Foto: MINUSCA

Manifestando preocupação com a retórica inflamada em meio à disseminada violência em Bangui, capital da República Centro-Africana (RCA), o secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu que todos os atores permaneçam calmos e trabalhem juntos para construir a paz no país.

“Não há justificativa para a incitação à violência e ao discurso de ódio”, disse o secretário-geral da ONU em comunicado divulgado por seu porta-voz.

Ao menos 22 pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridas em confrontos, que ocorreram após a prisão de um membro de um grupo criminoso pelas forças de segurança da República Centro-Africana.

Em meio à violência, uma igreja foi atacada e um pastor assassinado. Dois membros da Missão de Paz das Nações Unidas na República Centro-Africana (MINUSCA) também ficaram feridos quando foram apedrejados por uma multidão.

Segundo publicação no Twitter do comandante do Exército brasileiro, general Eduardo Villas Bôas, dois observadores militares brasileiros ficaram feridos na ocasião. Um dos boinas-azuis foi submetido na quarta-feira (2) a uma cirurgia em Kampala, Uganda, e passa bem. O segundo também passa bem e segue na missão, de acordo com o general.

Em comunicado, o chefe da ONU também pediu que as autoridades nacionais investigassem os ataques e levassem rapidamente seus responsáveis à Justiça.

Guterres reafirmou seu apoio ao país e ao papel da MINUSCA de proteger civis e estabilizar da República Centro-Africana.

Especialista da ONU pede proteção de civis

Uma especialista das Nações Unidas apelou por calma e proteção a civis após uma nova onda de violência na República Centro-Africana.

Marie-Thérèse Keita Bocoum pressionou autoridades a reforçar a proteção de civis em meio às hostilidades na capital centro-africana, Bangui.

“Expresso as minhas condolências às famílias das vítimas e lamento mais uma vez todos os ataques contra civis, trabalhadores humanitários e forças de paz em todo o país”, afirmou.

Segundo a especialista, a nova onda de violência acentuou a necessidade de buscar a implementação de estratégias sub-regionais para a circulação de armas e neutralização de grupos armados.

A Missão da ONU na República Centro Africana (MINUSCA) também se pronunciou sobre a necessidade de maior ação no país.

Bangui, capital da República Centro-Africana. Foto: ONU/Alban Mendes de Leon

Bangui, capital da República Centro-Africana. Foto: ONU/Alban Mendes de Leon

“A MINUSCA condena os ataques contra civis e locais de culto e enfatiza que tais agressões são contrárias a leis nacionais e internacionais”, disse a Missão da ONU em um comunicado.

O pronunciamento também reafirmou que apenas autoridades que cumprem mandato junto ao Estado tem o direito de aplicar medidas legais, e que muitos atos protagonizados por atores não estatais, como os ataques a uma igreja na manhã de terça-feira (1/5), são ilegais.

“Os promotores e autores desses atos serão responsabilizados”, completou a MINUSCA.

Os confrontos tiveram início após a prisão de um integrante de um grupo criminoso pelas forças de segurança do país. Na violência que se seguiu, uma igreja foi atacada nos limites do bairro PK5, de maioria muçulmana.

No atentado, um pastor foi morto, e instalações de saúde e equipes médicas também teriam sido ameaçadas. Posteriormente, a violência se espalhou para outras partes da cidade.

A coordenadora humanitária da ONU na República Centro-Africana, Najat Rochdi, denunciou o direcionamento de ataques a uma instituição religiosa, afirmando que o ato se constitui como um desrespeito a locais de culto.

“Estou chocada com a morte do pastor Tougoumalé-Baba, um dos defensores do pacto de não agressão”, afirmou, relembrando o acordo que permite a muçulmanos nos arredores da região a dar aos seus mortos um sepultamento digno de acordo com os preceitos do Islã.

Em um ataque subsequente, dois pacificadores da MINUSCA foram feridos, um em estado grave, após terem sido apedrejados por uma multidão.

De acordo com seu mandato, a MINUSCA enviou patrulhas reforçadas para fazer a segurança de localidades chave em Bangui, em cooperação próxima com forças nacionais de segurança, de maneira a monitorar a situação.

A Missão também acentuou sua presença em outras partes do país.