Rússia afirma que acusações sobre envenenamento de ex-espião são absurdas

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Durante um duro debate no Conselho de Segurança na semana passada (5), a Rússia rejeitou novamente acusações feitas pelo Reino Unido de que estaria por trás do envenenamento do ex-espião russo Serguei Skripal e de sua filha, Yuilia, ocorrido na cidade britânica de Salisbury no início de março (4).

Nebenzia Vassily, representante permanente da Rússia na ONU. Foto: ONU/Eskinder Debebe

Nebenzia Vassily, representante permanente da Rússia na ONU. Foto: ONU/Eskinder Debebe

Durante um duro debate no Conselho de Segurança na semana passada (5), a Rússia rejeitou novamente acusações feitas pelo Reino Unido de que estaria por trás do envenenamento do ex-espião russo Serguei Skripal e de sua filha, Yuilia, ocorrido na cidade britânica de Salisbury no início de março (4).

A Rússia “não é responsável” pelo ataque em Salisbury, disse o embaixador russo na ONU, Vassily Nebenzia, enfatizando que a origem da substância utilizada no incidente não foi confirmada.

Skripal havia sido acusado anos antes pelo pelo serviço de segurança russo de atuar como agente duplo e passar informações classificadas para MI6, o serviço secreto britânico.

O Reino Unido enviou à Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPCW, na sigla em inglês) amostras do agente nervoso dias depois do incidente que deixou Sergei Skripal e sua filha hospitalizados.

Após o incidente, o Reino Unido escreveu uma carta ao Conselho de Segurança da ONU, afirmando ser “altamente provável” que a Rússia estava por trás da ação e que teria utilizado o agente neurotóxico Novichok. Durante a reunião do Conselho de Segurança requerida pelo Reino Unido em 14 de março, a Rússia — que é Estado-membro da Convenção sobre Armas Químicas — negou veementemente as acusações.

A Convenção, que entrou em vigor em 1997, proíbe a produção, o estoque e o uso de armas químicas e seus precursores.

Na reunião da semana passada, Nebenzia acusou o Reino Unido de se engajar em um “teatro do absurdo”, e questionou por que a Rússia perpetuaria tal ataque oito anos depois de anistiar o ex-espião, antes das eleições presidenciais russas e da Copa do Mundo de 2018.

Além disso, a delegação russa disse que o país não tem patente sobre o agente químico Novichok e que essa substância tóxica foi desenvolvida em muitos países, incluindo os Estados Unidos e o Reino Unido. “Mesmo assim, as pessoas estão querendo que a Rússia reconheça sua culpa”, disse.

Em uma reunião do Conselho Executivo da OPCW na quarta-feira (4), a Rússia propôs uma investigação conjunta com o Reino Unido, que foi rejeitada pelos britânicos e seus aliados.

Falando depois de Nebenzia, a embaixadora britânica da ONU, Karen Pierce, disse que um agente nervoso de uso militar — uma arma de destruição em massa — foi usada em uma tentativa de matar civis em solo britânico de maneira imprudente.

“Há um país, a Rússia, que está jogando com nossa segurança coletiva e as instituições internacionais que nos protegem.”


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