Rombo de mais de US$ 1 bilhão no orçamento do ACNUR ameaça assistência para sírios na Jordânia e no Líbano

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A síria Fatmeh encontrou refúgio na Jordânia há cinco anos. Separada do marido e forçada a criar seus oito filhos sozinha, sua vida tem sido uma constante batalha para manter um teto sob suas cabeças, colocar comida na mesa e prestar cuidados especiais para uma das crianças que tem câncer na bexiga.

Eles são uma das 30 mil famílias de refugiados sírios que vivem na Jordânia e que recebem assistência financeira mensal da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR). Atualmente, um déficit de mais de 1 bilhão de dólares no orçamento da agência põe em risco a continuidade desse programa, que ainda beneficia outras 30 mil famílias de sírios vivendo no Líbano.

Fatmeh com quatro de seus oito filhos. Foto: ACNUR/Benoit Almeras

Fatmeh com quatro de seus oito filhos. Foto: ACNUR/Benoit Almeras

A síria Fatmeh encontrou refúgio na Jordânia há cinco anos. Separada do marido e forçada a criar seus oito filhos sozinha, sua vida tem sido uma constante batalha para manter um teto sob suas cabeças, colocar comida na mesa e prestar cuidados especiais para uma das crianças que tem uma doença grave.

Eles são uma das 30 mil famílias de refugiados sírios que vivem na Jordânia e que recebem assistência financeira mensal da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR). Um terço delas depende completamente da verba. Para cada família, o organismo internacional disponibiliza a quantia de 155 dinares — o que equivale a 220 dólares.

Atualmente, um déficit de mais de 1 bilhão de dólares no orçamento da agência põe em risco a continuidade desse programa, que ainda beneficia outras 30 mil famílias de sírios vivendo no Líbano. Sem financiamento, a assistência poderá acabar até o final de junho. Para evitar a interrupção do programa, o ACNUR precisa urgentemente de 187 milhões de dólares, segundo pronunciamento do organismo feito no início do mês (6).

Com o dinheiro, Fatmeh paga a radioterapia do filho, mesmo que isso a leve, muitas vezes, a atrasar o pagamento do aluguel. “A assistência financeira é literalmente a razão pela qual meu filho continua vivo. Sem isso, não sei como vou continuar a viver”, conta a síria.

“Quando chegamos eu não tinha como pagar o aluguel, então tive que deixar as crianças sozinhas enquanto saia para limpar casas”, explica a mãe de 31 anos, que é originária de Alepo. Como a família não tinha como cobrir todos os gastos, os filhos mais velhos – agora, com 14 e 15 anos – vendiam meias nas ruas para tentar fazer um dinheiro extra.

Apesar dos esforços, Fatmeh não tinha como arcar com os custos de moradia. A família foi despejada. O pior aconteceu quando seu filho Loay, de dois anos, foi diagnosticado com câncer na bexiga. A doença requer um tratamento muito caro, pelo qual a família não podia pagar. A salvação foi a assistência do ACNUR, que lhes permitiu reajustar as contas e alugar uma nova residência.

“Apesar de compromissos generosos, programas humanitários que apoiam refugiados e comunidades sírias que os acolhem estão rapidamente ficando sem recursos”, alertou o porta-voz do ACNUR, Andrej Mahecic. “Para que não haja cortes grandes e dramáticos nos serviços básicos na segunda metade do ano, contribuições adicionas são necessárias.”

Entre os que precisam da ajuda financeira, está Hasan, de 43 anos. Ele também é pai de oito crianças. Há três anos, fugiu dos subúrbios do leste de Alepo e encontrou refúgio na Jordânia. Uma doença degenerativa no olho o deixou totalmente cego e incapaz de trabalhar. Sem os 155 dinares que sua família recebe do ACNUR a cada mês, ele e os parentes não conseguirão pagar o aluguel do apartamento onde moram.

Mesmo com a ajuda, a família ainda precisa tomar decisões difíceis para poder sobreviver. Hasan tem condições de mandar apenas dois de seus filhos para a escola. A família come carne apenas uma vez por semana e depende de doações de roupas das instituições de caridade locais. Contudo, o cenário atual ainda é melhor do que o anterior, ele conta.

“Antes eu tinha que pegar dinheiro emprestado para poder pagar o aluguel e fiquei com uma dívida de 2,5 mil dinares. Agora, me sinto mais seguro porque sei que temos como pagar o aluguel. Se a assistência financeira acabasse, seria uma catástrofe. Teria que andar pelas ruas com meus filhos, pedindo dinheiro”, afirma.


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