Risco de overdose por fentanil é duas vezes mais alto que por heroína, diz ONU

AUMENTAR LETRA DIMINUIR LETRA

Fentanil é um analgésico disponível para uso médico e até cem vezes mais potente que a morfina. Fabricação, venda e consumo ilícitos da substância e derivados estariam associados a aumento no número de casos de overdose, segundo novo relatório do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC).

Fentanil pode ser injetado, mas também é consumido na forma de comprimidos semelhantes aos de LSD. Uso ilícito da droga preocupa a ONU. Foto: Flickr (CC)/L.

Fentanil pode ser injetado, mas também é consumido na forma de comprimidos semelhantes aos de LSD. Uso ilícito da droga preocupa a ONU. Foto: Flickr (CC)/L.

A overdose por fentanil — um analgésico disponível para uso médico e até cem vezes mais potente que a morfina — seria duas vezes mais provável do que por heroína. É o que revelam estimativas divulgadas nesta semana (6) em novo relatório do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC). A agência da ONU alerta que o aumento acentuado nas mortes por overdose estaria associado ao consumo ilícito da droga e derivados.

O fentanil é considerado o opioide sintético mais forte disponível para o tratamento de problemas de saúde em humanos. Valorizado pelos efeitos anestésicos e sedativos, o medicamento, contudo, produz alta dependência e pode ser usado de forma abusiva por pacientes.

Pesquisadores da Austrália monitoraram em Sidney grupos de usuários de drogas, todos sob supervisão médica. Após observação, os especialistas concluíram que a overdose pela injeção de fentanil no organismo acontecia com frequência oito vezes maior do que entre os indivíduos que injetavam outros opioides prescritos. Na comparação com a heroína, o risco foi considerado duas vezes mais alto.

Nas décadas de 1970 e 1980, produtos contendo fentanil e substâncias análogas apareceram no mercado de drogas ilícitas e tornaram-se notórios por overdoses acidentais. Atualmente, o UNODC considera que houve um ressurgimento dos problemas de saúde pública associados à venda e consumo ilegais.

Desde o outono de 2003, o consumo de fentanil e derivados estaria entre as causas de 5 mil mortes de overdose. No Canadá, ao menos 655 óbitos registrados entre 2009 e 2014 foram associados ao uso da substância. Na Austrália, de 2000 a 2012, no mínimo 123 mortes provocadas pela utilização dos compostos foram registradas.

O documento do UNODC também menciona o Brasil e cita notificações do Laboratório de Toxicologia da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Em setembro de 2016, o centro de pesquisa informou que o fentanil e a butilona, outra substância psicoativa, estariam associadas a seis casos de intoxicação aguda verificados em Campinas, Sumaré e Indaiatuba, no mesmo ano.

Segundo os pesquisadores brasileiros, as vítimas talvez não soubessem que estavam ingerindo nenhuma das duas substâncias por causa das semelhanças na aparência entre elas e o LSD e outras drogas. O Centro de Toxicologia da UNICAMP emitiu um alerta solicitando a todas as emergências de hospitais que notificassem a instituição sobre os efeitos e sintomas do fentanil e da butilona em pessoas que os consumiram.

Uma das causas da atual onda de overdoses associadas ao fentanil é a facilidade com que a droga pode ser fabricada. Materiais e equipamentos necessários à produção da substância podem ser encontrados na internet a baixo custo. O UNODC aponta ainda para a proliferação de derivados do medicamento que não foram aprovados nem mesmo para uso médico.

A agência da ONU também afirma no relatório que um mercado complexo e subterrâneo tem investido na venda clandestina de fármacos opiáceos, como o fentanil. O analgésico e alguns de seus produtos análogos têm seu controle de venda, fabricação e distribuição internacional regidos pela Convenção Única sobre Entorpecentes de 1961.


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