Rio 2016: ‘Esporte dá às crianças direito humano de ser crianças, de rir e brincar’, diz Ban Ki-moon

Durante cerimônia em Genebra com o Comitê Olímpico Internacional, secretário-geral da ONU elogiou esforços humanitários dos organizadores das Olimpíadas e enfatizou que equipe composta por refugiados farão este grupo ser visto como merece: “pessoas talentosas, fortes e inspiradoras”. Ban Ki-moon recebeu de estudante brasileira a tocha olímpica.

Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, com a estudante brasileira Bruna Gabrielle Pitta. Foto: ONU/Jean-Marc Ferré

Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, com a estudante brasileira Bruna Gabrielle Pitta. Foto: ONU/Jean-Marc Ferré

Durante cerimônia rumo aos Jogos Olímpicos no Brasil nesta sexta-feira (29) na sede da ONU em Genebra, o secretário-geral da ONU destacou que a chama da tocha olímpica, que está de passagem pela Suíça, é um símbolo da parceria entre as Nações Unidas e o Comitê Olímpico Internacional (COI). A cerimônia contou com a presença do presidente do COI, Thomas Bach.

“As Nações Unidas se orgulham da parceria com vocês por um mundo melhor. Esta é a chama da paixão que queima no coração dos atletas e torcedores”, disse Ban. “É a chama eterna representando valores atemporais que nunca podem ser extintos. E, acima de tudo, esta chama é um farol de solidariedade com todos os povos do mundo.”


(Na imagem de capa do vídeo acima: Tenista brasileira Natália Mayara é aplaudida após seu discurso na ONU. Crédito da foto: André Luiz Mello)

“O mundo está ansioso pelos Jogos Olímpicos do Rio — e os Jogos Paralímpicos, que também carregam os valores das Nações Unidas”, afirmou.

Ban elogiou o “passo extraordinário” do COI ao incluir uma equipe de refugiados. Pela primeira vez na história, atletas que foram obrigados a fugir de suas casas terão uma chance de competir. Eles competirão em um time formado exclusivamente por refugiados, sob a bandeira do Comitê.

“Seus companheiros refugiados darão esperança a todos, enquanto o mundo verá os refugiados da maneira que eles merecem ser vistos: como pessoas talentosas, fortes e inspiradoras. Ganhando ou perdendo, eles são campeões do espírito”, acrescentou.

Ban Ki-moon lembrou que ele próprio já foi deslocado pela guerra em seu país — a Coreia do Sul — quando tinha apenas seis anos de idade. “Por ter conhecido tantos refugiados capazes em todo o mundo, acredito que, com regras justas, eles podem triunfar nos campos tanto do jogo quanto da vida”, afirmou o chefe da ONU, pedindo que a comunidade internacional encontre soluções duradouras para a questão dos refugiados, crise que ultrapassa em números a da Segunda Guerra Mundial.

Ban Ki-moon durante a cerimônia em Genebra. Foto: ONU/Jean-Marc Ferré

Ban Ki-moon durante a cerimônia em Genebra. Foto: ONU/Jean-Marc Ferré

“Vamos todos estar na equipe de refugiados até que não haja mais necessidade de uma equipe de refugiados”, ressaltou.

Ban lembrou que a ONU realizará em maio a Cúpula Mundial Humanitária, em Istambul, para tratar deste e de outros temas. Em setembro, a Assembleia Geral também realizará uma cúpula de alto nível, desta vez focada nos grandes movimentos de migrantes e refugiados. “Apelo aos líderes e às pessoas para aproveitar ao máximo essas oportunidades globais para o progresso.”

O chefe da ONU elogiou os projetos do COI em todo o mundo. “Conheci muitas crianças que tiveram a coragem, através do esporte, de seguir seus sonhos. Pode não parecer muito para dar a uma menina ou menino refugiado uma bola. Mas eu sei por experiência própria que a guerra destrói mais do que edifícios e estradas — também destrói a infância.”

Ban destacou que o esporte dá às crianças o direito humano básico de, ao menos por alguns momentos, rir e brincar. “É por isso que eu valorizo tão profundamente projetos humanitários do COI”, acrescentou.

Na cerimônia, Ban Ki-moon recebeu das mãos da estudante brasileira Bruna Gabrielle Pitta Portugal, de 13 anos, a tocha olímpica. A jovem brasileira, que mora na capital suíça há 11 anos, foi escolhida para levar a chama ao Palácio das Nações, prédio que abriga a sede da ONU em Genebra.

A ONU recebeu na ocasião o prêmio ‘Copa Olímpica’ do Comitê Olímpico Internacional.

Ban Ki-moon dedicou o prêmio aos funcionários da Organização que trabalham para um futuro melhor para toda a humanidade.

Ele agradeceu a todas as agências das Nações Unidas que estão “alavancando o poder do esporte”. Ban explicou que a ONU está colaborando com atletas para inspirar crianças e tornando os Jogos Olímpicos mais “verdes”.

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