Retomada de combates gera outra emergência humanitária na República Democrática do Congo, alerta ONU

Após trégua de dois meses, confrontos entre tropas do Governo e rebeldes do Movimento 23 de Março deslocam milhares de pessoas para Uganda. Nações Unidas e parceiros reforçam assistência.

Famílias congolesas levam principais pertences para Uganda, onde buscam refúgio. Foto: ACNUR/L.Beck

O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) manifestou preocupação nesta terça-feira (16) com uma nova emergência na área de Kivu do Norte, no leste da República Democrática do Congo (RDC), onde combates entre a Força Nacional congolesa e os rebeldes do Movimento 23 de Março têm deslocado milhares de pessoas nos últimos dias, após dois meses de trégua.

“Com a deterioração da situação no Masisi, a noroeste de Goma, um fluxo constante de cerca de 600 pessoas por semana tem migrado para o distrito de Kisoro, em Uganda”, disse o porta-voz do ACNUR, Adrian Edwards, em Genebra, na Suíça. “Mais combates são prováveis e tememos que desencadeiem um êxodo maior.”

A agência enviou material para a construção de abrigos, pratos, copos e sabão para os recém-chegados, além de fornecer combustível para a transferência do material. Na segunda-feira (15), já havia enviado um carregamento adicional de tendas de emergência, rolos de plástico, cobertores e colchonetes. Parceiros da ONU também estão fornecendo água e comida.

A Cruz Vermelha de Uganda registrou, até agora, a chegada de mais de 66 mil refugiados no distrito de Bundibugyo. De acordo com Edwards, os congoleses estão sendo acomodados em escolas, casas de famílias e até em jardins.