Ressurgimento de violência contra minorias religiosas no Paquistão preocupa especialistas da ONU

Relatores independentes sobre direitos humanos pediram respeito às diferenças de crença e proteção para as comunidades religiosas em minoria no país.

Cerimônia de iniciação Ahmadiyya, em 2008. Embora o islamismo seja predominante, a vertente Ahmadiyya representa menos de 2,5% da população muçulmana no país. Foto: Amatul Rafiq (Creative Commons)

Cerimônia de iniciação Ahmadiyya, em 2008. Embora o islamismo seja predominante, a vertente Ahmadiyya representa menos de 2,5% da população muçulmana no país. Foto: Amatul Rafiq (Creative Commons)

Especialistas independentes das Nações Unidas sobre direitos humanos pediram, nesta segunda-feira (2), que o Paquistão adotasse medidas urgentes para acabar com os assassinatos motivados por diferenças religiosas e garantir a segurança da comunidade muçulmana Ahmadiyya, cuja fé é ilegal no país.

“Estou muito preocupado com a recente explosão de violência contra os muçulmanos Ahmadiyya por militantes extremistas”, disse o relator especial sobre religião ou credo, Heiner Bielefeldt. “Eu solicito ao Paquistão que garanta o direito à liberdade de crença àqueles que pertencem a minorias religiosas.”

Em 13 de maio deste ano, quatro muçulmanos Ahmadiyya foram presos pela polícia sob a acusação de blasfêmia na cidade de Sharaqpur. Três deles foram soltos após pagamento de fiança, enquanto o que permaneceu em prisão – Khalil Ahmad – foi morto a assassinado por uma criança de 15 anos, que entrara na estação de polícia com uma arma escondida em sua lancheira.

Ainda no fim do maio, Mehdi Ali Qamar, cidadão dos Estados Unidos e membro da mesma comunidade, que estava no Paquistão em serviço humanitário, foi morto por dois homens não identificados enquanto visitava o túmulo de seus parentes em um cemitério local. No ano passado, sete membros da comunidade já haviam sido assassinados.