Resistência a antibióticos é ameaça real com consequências ‘devastadoras’, diz estudo da OMS

Com dados de 114 países, estudo alerta que a resistência de bactérias a antibióticos pode fazer com que infecções comuns voltem a matar em várias partes do mundo.

Imagem microscópica de colônia de bactéricas 'Escherichia coli', para as quais a ineficiência do tratamento com antibióticos já chega a 50% em muitos países. Foto: Departamento de Agricultura dos Estados Unidos/Eric Erbe

Imagem microscópica de colônia de bactéricas ‘Escherichia coli’, para as quais a ineficiência do tratamento com antibióticos já chega a 50% em muitos países. Foto: Departamento de Agricultura dos Estados Unidos/Eric Erbe

Em estudo divulgado esta semana, as Nações Unidas alertaram que a resistência antibiótica – quando as bactérias se adaptam a um ponto onde os antibióticos não mais surtem efeito no tratamento de infecções – é agora uma ameaça fundamental à saúde pública.

Produzido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), e inédito ao avaliar diversas formas globais de resistência antimicrobiana com base em dados de 114 nações, o estudo afirma que a resistência bacteriana não é mais uma ameaça hipotética, mas uma realidade atual e com o potencial de afetar indivíduos de todas as idades em qualquer país do mundo.

“Sem uma ação urgente e coordenada”, informa Keiji Fukuda, diretor-geral assistente da OMS para Segurança da Saúde, “infecções ou lesões ordinárias, que têm sido tratáveis há décadas, poderão voltar a matar. A não ser que mudemos o jeito que produzimos, prescrevemos e usamos antibióticos, o mundo perderá mais e mais desses bens públicos de saúde, com implicações devastadoras.”

Um dos exemplos do problema é a resistência adquirida pela bactéria Escherichia coli, responsável por, entre outros males, infecções alimentícias, apendicite e meningite. Na década de 80, quando seus antibióticos foram introduzidos, a resistência era virtualmente nula; atualmente, porém, o antibiótico não apresenta qualquer efeito em até metade dos paciente em vários países.

Embora aponte que o fenômeno cresce entre diversos agentes infecciosos, o estudo foca na resistência de bactérias responsáveis por doenças muito comuns e letais especialmente em países em desenvolvimento, como diarreia, pneumonia, gonorreia e infecções urinárias, entre outras.