Resiliência do Caribe para enfrentar mudanças climáticas é ‘questão urgente’, diz ONU

Em reunião sobre a adaptação dos Pequenos Estados Insulares às mudanças climáticas, dirigentes da ONU ressaltaram na terça-feira (13) que essas ilhas já estão sendo afetadas pelas alterações do meio ambiente. Nações caribenhas têm sido palco de fenômenos devastadores — em 2017, o furacão Maria causou em Dominica perdas econômicas estimadas em 259% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

Cidade de Codrington, em Barbuda, após a passagem do furacão Maria, em setembro de 2017. Foto: ONU/Rick Bajornas

Cidade de Codrington, em Barbuda, após a passagem do furacão Maria, em setembro de 2017. Foto: ONU/Rick Bajornas

Em reunião sobre a adaptação dos Pequenos Estados Insulares às mudanças climáticas, dirigentes da ONU ressaltaram na terça-feira (13) que essas ilhas já estão sendo afetadas pelas alterações do meio ambiente. Países em desenvolvimento, sobretudo as nações caribenhas, têm sido palco de fenômenos devastadores — em 2017, o furacão Maria causou em Dominica perdas econômicas estimadas em 259% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

O enviado especial da ONU para a Cúpula do Clima de 2019, Louis Alfonso De Alba, lembrou que no ano passado, milhares de pessoas ficaram desabrigadas no Caribe, e a infraestrutura de transporte, água, saúde, educação e turismo foi severamente impactada. “Entre 70 e 95% das casas foram danificadas em Anguilla, nas Bahamas, nas Ilhas Turcas e Caicos, nas Ilhas Virgens Britânicas, em Barbuda e Dominica”, afirmou o especialista em evento na sede da ONU, em Nova Iorque.

De 1998 a 2017, os pequenos países e territórios caribenhos estiveram entre os dez Estados mais afetados financeiramente por desastres associados ao clima, alertou a presidente do Conselho Econômico e Social das Nações Unidas (ECOSOC), Inga King.

A dirigente defendeu que aumentar a preparação das nações caribenhas é uma “questão urgente”. Isso inclui ampliar investimentos na redução dos riscos de desastres, nos esforços de recuperação e reconstrução.

Sobre a mobilização de recursos, Louis Alba elogiou o fato de que mais de 1,6 bilhão de dólares já haviam sido disponibilizados aos países do Caribe, por meio de fundos de reconstrução. Mas o analista expressou preocupação com outro aspecto da conjuntura sub-regional — a dívida externa.

Segundo a secretária-executiva da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (CEPAL), Alicia Bárcena, os países caribenhos têm uma dívida total de 52 bilhões de dólares — pouco mais de 70% do PIB da sub-região. De acordo com a chefe do organismo, os furacões Irma e Maria causaram danos calculados em 6,9 bilhões de dólares, quando considerados os sete países mais atingidos pelas tempestades.

“É claro que para a comunidade internacional no geral, as medidas de mitigação das mudanças climáticas são urgentes e necessárias, mas para os Pequenos Estados Insulares, a implementação das medidas de adaptação é um imperativo”, enfatizou Bárcena.

A CEPAL criou uma metodologia de avaliação de perdas e danos, já implementada em cinco países caribenhos. O organismo da ONU ajuda essas nações a fortalecer seus sistemas de monitoramento de riscos. Outro projeto da comissão é uma iniciativa que renegocia dívidas dos Estados, substituindo-as por investimentos e empréstimos em adaptação climática.


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