República Democrática do Congo vive segunda pior crise de fome do mundo, diz PMA

A ONU anunciou na terça-feira (2) que vai triplicar as doações de comida e a assistência alimentar para a região de Ituri, na República Democrática do Congo, que é palco do que o Programa Mundial de Alimentos (PMA) descreveu como a segunda pior crise de fome do mundo, depois do Iêmen. Congoleses estão falecendo porque não têm o que comer, segundo o organismo internacional.

Um representante da agência da ONU explicou que, embora não haja um dado preciso sobre o número de mortes por fome em Ituri, existem atualmente 13 milhões de pessoas na RD Congo com dificuldades em obter comida suficiente para se manter. Desse contingente, 5 milhões são crianças agudamente malnutridas.

Doação de alimentos promovida pelo PMA na província de Ituri. Foto: PMA/Jacques David

Doação de alimentos promovida pelo PMA na província de Ituri. Foto: PMA/Jacques David

A ONU anunciou na terça-feira (2) que vai triplicar as doações de comida e a assistência alimentar para a região de Ituri, na República Democrática do Congo, que é palco do que o Programa Mundial de Alimentos (PMA) descreveu como a segunda pior crise de fome do mundo, depois do Iêmen. Congoleses estão falecendo porque não têm o que comer, segundo o organismo internacional.

Além de uma piora na escassez de alimentos, as comunidades do nordeste do país africano enfrentam um surto de ebola e confrontos interétnicos que deixaram pelos 117 pessoas mortas entre 10 e 13 de junho, segundo relatório recente do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH).

“A malnutrição é tamanha que eles (os congoleses) estão morrendo”, afirmou o porta-voz do PMA, Hervé Verhoosel.

O representante explicou que, embora não haja um dado preciso sobre o número de mortes por fome em Ituri, existem atualmente 13 milhões de pessoas na RD Congo com dificuldades em obter comida suficiente para se manter. Desse contingente, 5 milhões são crianças agudamente malnutridas.

O cenário da segurança alimentar agravou-se devido a um aumento dos conflitos entre pastores Hema e fazendeiros Lendu — os embates levaram pessoas a abandonar suas casas. Outros fatores por trás da crise de desnutrição são os preços crescentes de alimentos, a falta de renda e de acesso a uma dieta variada, destruições das safras por causa de insetos e epidemias.

“Essa crueldade sem sentindo vem justamente no momento da colheita, em que (congoleses) recém-deslocados tiveram de fugir de suas casas em vilarejos rurais com muito pouco ou quase nada”, alertou Verhoosel sobre a onda de conflitos interétnicos.

“Muitas vítimas desse aumento na violência estão malnutridas e foram forçadas a se deslocar várias vezes. Elas estão buscando segurança em centros urbanos e no mato.”

De acordo com a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), os confrontos levaram ao deslocamento interno de 300 mil pessoas desde junho. Cerca de 7,5 mil indivíduos cruzaram a fronteira pelo Lago Albert, com destino a Uganda.

A população de Ituri passa ainda pelo pior surto de ebola na história da República Democrática de Congo. A disseminação da doença também foi registrada na província de Kivu do Norte. Desde que o atual surto começou, em 1º de agosto do ano passado, 2.338 pessoas foram infectadas com a enfermidade — 2.244 casos foram confirmados e outros 94 são considerados ocorrências prováveis.

Desde o início da epidemia, 1.571 pessoas morreram — 1.477 dos óbitos foram confirmados como causados pelo ebola.

Para ajudar 5,2 milhões de pessoas em todo o território congolês pelos próximos seis meses, o PMA afirma que precisa de 155 milhões de dólares. Do montante, 35 milhões seriam usados para a resposta ao ebola.


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