República Centro-Africana: ONU pede prevenção de retomada da violência inter-religiosa

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O alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, expressou preocupação com a volátil situação na República Centro-Africana, particularmente devido ao discurso de ódio e o incitamento à violência com base na religião, bem como os recentes assassinatos e ataques em Bangui, a capital centro-africana.

Distribuição de ajuda humanitária em Bangui, República Centro-Africana. Foto: OCHA

Distribuição de ajuda humanitária em Bangui, República Centro-Africana. Foto: OCHA

O alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, expressou nesta quarta-feira (9) preocupação com a volátil situação na República Centro-Africana, particularmente devido ao discurso de ódio e o incitamento à violência com base na religião, bem como os recentes assassinatos e ataques em Bangui, a capital centro-africana.

No dia 1º de maio, no bairro PK5, em Bangui, pelo menos 22 pessoas morreram e outras 185 ficaram feridas depois que um grupo armado, liderado por Nimeri Matar Djamous (apelidado de “Força”), incitou a violência e atacou uma igreja em resposta a uma tentativa do governo de prender um dos seus líderes.

Isso desencadeou ataques de vingança por parte da comunidade cristã, incluindo o linchamento seguido de morte de três indivíduos muçulmanos. Os ataques continuaram no fim de semana passado, com casas, hospitais, igrejas e mesquitas em muitas localidades em Bangui atacados.

“A violência da semana passada em Bangui demonstra o quão volátil é a situação e a facilidade com que as multidões podem ser manipuladas em multidões enfurecidas prontas para atacar seus vizinhos com base em sua religião”, disse Zeid.

“Com discurso de ódio e incitação à violência tão prevalente na mídia e redes sociais, temo que as erupções espontâneas de violência como a de 1º de maio possam se tornar mais difundidas e difíceis de conter.”

O alto-comissário pediu ao governo da RCA e à comunidade internacional que sejam extremamente vigilantes e tomem medidas sérias para conter o incitamento à violência.

“Os autores de assassinatos e ataques violentos devem ser responsabilizados criminalmente, individualmente, para que uma comunidade inteira não seja atingida pelo mesmo problema”, disse o alto-comissário.

“Isso tornará mais difícil para grupos armados oportunistas manipularem multidões enfurecidas em ataques de vingança contra toda uma comunidade. Os centro-africanos sabem muito bem o que pode acontecer se os sentimentos comunais forem alimentados pela violência.”

Zeid pediu a todos os atores nacionais e internacionais relevantes que tomem medidas decisivas para prevenir efetivamente futuros surtos de violência e violações de direitos humanos. O alto-comissário sublinhou que esta recente onda de violência não deve prejudicar o processo de paz facilitado pela União Africana.


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