República Centro-Africana: ONU alerta para ‘frase crítica’ da transição política

Civis fugindo do conflito na República Centro-Africana. Foto: ACNUR/B. Heger

Em meio a uma transição política provisória, a situação na República Centro-Africana (RCA) ainda é delicada, com as continuas tensões sectárias e a gravidade da crise humanitária no país aumentando, advertiu nesta terça-feira (14) o representante especial do secretário-geral e chefe da Missão Multidimensional Integrada da ONU de Estabilização na República Centro-Africana (MINUSCA), Babacar Gaye.

Gaye disse ao Conselho de Segurança da ONU que a população do país continua em risco de ataques da aliança muçulmana Seleka e da milícia cristã anti-Balaka, enquanto os dois grupos continuam a promover hostilidades no conflito civil em curso no país.

Ele acrescentou que o país havia testemunhado uma fase de alta no número de pessoas deslocadas internamente (PDI), com 50 mil novos deslocados internos registrados desde o início do ano.

Mais de dois anos de guerra civil e violência sectária deslocaram milhares de pessoas no RCA. De acordo com estimativas da ONU, cerca de 440 mil pessoas permanecem deslocadas no interior do país, enquanto cerca de 190 mil buscaram asilo através das fronteiras.

Ao mesmo tempo, mais de 36 mil pessoas permanecem presas dentro do país, que não possui saída para o mar, esperando encontrar asilo em Estados vizinhos.