República Centro-Africana: Fundos emergenciais para assistência aos refugiados têm déficit de 90%

O número de pessoas deslocadas internamente é de cerca de meio milhão em todo o país; mais de 120 mil refugiados fugiram para as nações vizinhas.

Desnutrição e doenças afetam, principalmente, mulheres e crianças da República Centro-Africana que chegam em Camarões. Foto: IRIN/Otto Bakano

Dos 15 milhões de dólares emergenciais necessários para ajudar os refugiados da República Centro-Africana, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) e o Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR) receberam apenas duas contribuições, causando um déficit de 90%, disse a porta-voz do PMA, Elisabeth Byrs, nesta terça-feira (11).

“A prioridade imediata de todos os países de acolhimento é atender às necessidades agudas destes refugiados, e planejar-se para a temporada de chuvas, período que pode criar condições para a eclosão de doenças e prejudicar a entrega dos meios de subsistência por via terrestre”, disse Byrs.

De acordo com as agências da ONU, dos recém-chegados a cidade de Gbiti, em Camarões, 31% estão com desnutrição aguda, principalmente as crianças e 11% destes refugiados estão em situação grave de desnutrição aguda.

Por semana, até 2 mil pessoas chegam ao Camarões, a maioria mulheres e crianças, através de mais de 30 pontos de entrada na fronteira. Muitos chegam esgotados e em péssimas condições físicas, com cortes profundos ou ferimentos de balas, depois de fugirem dos ataques brutais em suas cidades.

O número de pessoas deslocadas internamente é de mais de meio milhão em todo o país desde dezembro de 2013, e mais de 120 mil refugiados fugiram para os países vizinhos.