República Centro-Africana: Comunidade internacional falhou em ‘evitar o evitável’, diz chefe da ONU

Em reunião sobre crise humanitária no país, Ban Ki-moon sugere ações humanitárias intensivas e urgentes. Desde início dos conflitos, a crise gerou quase um milhão de desabrigados.

Famílias deslocadas se abrigam em hangar do aeroporto de Bangui, República Centro-Africana. Foto: ACNUR/L. Wiseberg

Famílias deslocadas se abrigam em hangar do aeroporto de Bangui, República Centro-Africana. Foto: ACNUR/L. Wiseberg

Durante encontro nesta quarta-feira (2) entre a União Europeia e a União Africana (UA) sobre a crise na República Centro-Africana (RCA), o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, pediu uma ação rápida para acabar com a matança, proteger os civis e prevenir novos confrontos intercomunais.

“Nós não fizemos a diferença que prometemos fazer – evitar o evitável”, disse Ban sobre o fracasso da comunidade internacional em evitar que a RCA caísse “em grave crise política, econômica e humanitária”. Ele observou ainda que, após um ano de contínua violência, o povo centro-africano continua a suportar “deploráveis atrocidades”.

Caos no coração africano

Iniciado em dezembro de 2012 por ataques de muçulmanos do grupo extremista Seleka, a crise deixou metade da população da RCA – 2,2 milhões – em condições precárias de vida, incluindo 650 mil deslocados internos e 290 mil refugiados. Segundo o secretário-geral, genocídios só foram evitados graças à fuga em massa de minorias para áreas mais seguras.

Diante da situação crítica, Ban pediu por uma ação política e humanitária mais decisiva: “Recomendei ao Conselho de Segurança a presença de no mínimo 10 mil militares, 1,8 mil policiais e 200 agentes penitenciários, e espero que [o órgão] aprove minha proposta o mais cedo possível e aja até o começo da próxima semana.”