Representante da ONU para direitos humanos alerta sobre risco de impunidade na Costa do Marfim

Segundo Ivan Simonovic, a demora para julgar e punir graves violações no país gera o risco de contínua violência.

Ivan ŠimonovićNo final de uma visita à Costa do Marfim, o Secretário-Geral Assistente para os Direitos Humanos da ONU alertou na sexta-feira (01) que a demora em punir autores de graves violações dos direitos humanos pode levar a mais violência no país da África Ocidental.

As observações de Ivan Simonovic foram feitas após uma visita ao campo de deslocados de Nahibly, perto da cidade de Duékoué, no oeste do país. O campo foi atacado em 20 de julho, deixando pelo menos oito mortos e muitos desaparecidos.

“O trágico incidente em Nahibly me lembra as cenas em Duékoué em minha última visita em 2011. Corpos estão sendo desenterrados de valas comuns. As vítimas desses crimes ainda estão esperando por justiça. Essa impunidade – a impossibilidade de responsabilizar os autores dos crimes horrendos – cria um risco grave de violência contínua”, afirmou Simonovic, que havia visitado a Costa do Marfim pela última vez, em abril de 2011, no auge da crise política que se seguiu após as eleições de 2010.

Autoridades locais e trabalhadores de ajuda humanitária disseram que a frágil situação de segurança e o medo de represálias estão dificultando as investigações já abertas pelo governo. Simonovic ressaltou, no entanto, que investigações rápidas, rigorosas e críveis são essenciais para o bem não só da justiça, mas também da reconciliação e prevenção de ataques futuros.

Em Man, Guiglo e Duékoué, representantes da sociedade civil expressaram ao funcionário da ONU preocupação sobre disputas de terra não resolvidas, a circulação ilícita de armas e atividades de Dozos, caçadores tradicionais que se tornaram um grupo paramilitar.

Já na cidade de Abidjan, Simonovicse se reuniu com uma série de funcionários do governo e representantes políticos, inclusive o Presidente, Alassane Ouattara, e o Primeiro-Ministro, Daniel Kablan Duncan, que lhe deram esperança de continuidade na reestruturação da segurança no país.