Representante da ONU alerta para risco de instabilidade política na Bósnia-Hezergóvina

A Republika Srpska, entidade autônoma do país, anunciou que vai realizar um referendo de independência em 2018. A votação desafiaria a soberania da Bósnia-Hezergóvina, segundo representante da ONU.

Possível referendo na República Sérvia ameaça estabilidade da Bósnia-Hezergóvina. Foto: WikiCommons / Jennifer Boyer

Possível referendo na República Sérvia ameaça estabilidade da Bósnia-Hezergóvina. Foto: WikiCommons / Jennifer Boyer

O alto representante das Nações Unidas para a Bósnia-Hezergóvina, Valentin Inzko, alertou o Conselho de Segurança nesta terça-feira (10) a respeito da decisão da Republika Srpska (República Sérvia), entidade autônoma do país que pretende realizar um referendo de independência em 2018. Em julho de 2015, o parlamento dessa região organizou uma votação para decidir se respeitava as decisões e a autoridade das instituições judiciais centrais e implementava o acordo de paz.

Duas décadas após o fim das guerras no território da antiga Iugoslávia, as deliberações da entidade ameaçam a estabilidade da Bósnia-Hezergóvina, país considerado um exemplo da construção da paz, segundo Inzko. Nos primeiros dez anos pós-conflitos, a nação conseguiu estabilizar a economia, instaurar um judiciário estadual, receber um milhão de refugiados que retornavam às suas casas e unir, sob um único Ministério da Defesa, três exércitos rivais.

“A decisão da Assembleia Nacional da República Sérvia ainda tem que ser publicada e entrar em vigor”, afirmou o representante. “Ainda há uma oportunidade de retificar essa brecha no Acordo de Paz e eu espero que as autoridades recuem e ponham o referendo de lado”.

Inzko lembrou e reiterou o alerta da União Europeia. “A realização de tal referendo desafiaria a coesão, a soberania e a integridade territorial da Bósnia-Hezergóvina”, disse. Para o representante, os problemas enfrentados pelo país hoje refletem o enfraquecimento da economia, a complexa burocracia e “os interesses escusos que alguns líderes políticos e empresas estatais têm num status quo disfuncional”.

“O que é necessário é implementar um programa de sérias reformas políticas, sociais e econômicas que vão melhorar a funcionalidade, atrair investimento e criar empregos. Se isso for feito, a comunidade internacional, através do Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial e outros estão prontos para fornecer assistências generosas para ajudar o país a passar por um período desafiador”, explicou Inzko.