Representante da FAO no Brasil defende “nova revolução verde”

Em evento em São Paulo na última segunda-feira (05/09), Hélder Muteia falou sobre segurança alimentar e fez referência ao expressivo aumento da produção agrícola em países menos desenvolvidos nas décadas de 60 e 70.

Representante da FAO no Brasil, Hélder MuteiaO representante da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) no Brasil, Hélder Muteia, participou na última segunda-feira (5/9) em São Paulo da segunda edição do Fórum Internacional de Estudos Estratégicos para Desenvolvimento Agropecuário e Respeito ao Clima (FEED 2011). No evento, realizado pela Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), especialistas brasileiros e estrangeiros discutiram os desafios de alimentar 9 bilhões de pessoas em agricultura de baixo carbono.

Falando sobre segurança alimentar e demanda por alimentos, Hélder Muteia defendeu uma “nova revolução verde”, em referência ao expressivo aumento da produção agrícola em países menos desenvolvidos nas décadas de 60 e 70. Segundo ele, um novo período de expansão agrícola é fundamental, mas não pode repetir equívocos do passado, como negligenciar culturas de sorgo e mileto (fundamentais para as vidas de pequenos agricultores), a questão ambiental, além de não resolver desequilíbrios regionais.

Muteia alertou também para a queda no ritmo da produtividade agrícola frente ao crescimento da demanda mundial por alimentos no mundo e a alta volatilidade dos preços, responsáveis pelo aumento da insegurança alimentar. “Teremos em 2011 uma queda de 1,1% na produção mundial de cereais. Ao mesmo tempo, o consumo crescerá 1,9%”, observou o representante da FAO no Brasil. “Os estoques de trigo, milho, soja e arroz, por exemplo, continuam baixos”.

De acordo com Muteia, a expansão da produção agrícola é uma das questões centrais para garantir a segurança alimentar das populações carentes. Ele observou, no entanto, que o aumento da produção deve ser coordenado a partir de múltiplas ações de combate à pobreza discutidas em fóruns como o G-20, além da implementação de novas políticas públicas por parte dos governos. “Um bilhão de pessoas passam fome no mundo e 10 milhões morrem de fome por ano. Destes, 3 milhões são crianças”, lembrou ele.

A primeira meta dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) da ONU é reduzir pela metade o número de pessoas atingidas pela fome e pobreza extrema até 2015.