Repórteres sem Fronteiras alerta para aumento do ódio ao jornalismo

AUMENTAR LETRA DIMINUIR LETRA

O mundo passa por um momento de crescimento do ódio ao jornalismo e aos jornalistas, o que ameaça as democracias, diz a edição 2018 do Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa. Os dados foram divulgados no fim de abril (25) pela organização Repórteres sem Fronteiras (RSF), em sete eventos simultâneos pelo mundo, incluindo um na sede do Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio), na capital fluminense.

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O mundo passa por um momento de crescimento do ódio ao jornalismo e aos jornalistas, o que ameaça as democracias, diz a edição 2018 do Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa. Os dados foram divulgados no fim de abril (25) pela organização Repórteres sem Fronteiras (RSF), em sete eventos simultâneos pelo mundo, incluindo um na sede do Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio), na capital fluminense.

Segundo o diretor regional da organização para a América Latina, Emmanuel Colombié, a liberdade de imprensa funciona como um termômetro do vigor da democracia e o índice global vive seus piores momentos. “Estamos com 3.826 pontos, caiu muito desde que o ranking começou a ser feito em 2002”.

“O trabalho de uma mídia livre, independente e imparcial é um dos fundamentos essenciais de uma sociedade democrática, como reconhecido no Artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Quando há abusos contra os jornalistas, não são unicamente os direitos deles que são atacados. São os diretos da sociedade toda que sofrem: isso limita o fluxo de informação e a liberdade de expressão, os quais são indispensáveis para um Estado de direito”, declarou Maurizio Giuliano, diretor do UNIC Rio, também presente no evento.

No ranking geral, o país com mais liberdade de imprensa é a Noruega, seguido pela Suécia e pelos Países Baixos. Os países no fim da lista são Coreia do Norte, Eritreia e Turkomenistão.

Apesar da ligeira alta do índice regional de liberdade de imprensa na América Latina, Colombié destacou que o quadro geral segue “extremamente preocupante”. “A região continua marcada pela extrema violência e baixo índice de liberdade”.

O levantamento apontou que a Costa Rica continua na melhor posição do ranking regional, o único país classificado com situação boa. Cuba continua no pior, o único país da região com situação grave, devido à proibição em lei da propriedade privada dos meios de comunicação.

“A Venezuela teve a queda mais acentuada na região, perdendo seis posições e ficando em 143º. Lá, foram tiradas as licenças de dezenas de rádios e televisões, além de ser escasso o papel necessário para os impressos. Também registra centenas de agressões a jornalistas que cobriam as manifestações”, alertou Colombié.

De acordo com a ONG, o México continua sendo o país mais perigoso para o exercício do jornalismo na região. “Em 2017 foram 11 assassinatos de jornalistas no exercício da profissão, atrás apenas da Síria, um país em guerra.”

Em uma lista de 180 países, o Brasil passou da posição 103 para 102 este ano, porém, classificado pela ONG como “um ambiente de trabalho cada vez mais instável”. “A ausência de um mecanismo nacional de proteção para os repórteres em perigo e o clima de impunidade – alimentado por uma corrupção onipresente – tornam a tarefa dos jornalistas ainda mais difícil”, disse Colombié.

“Um dos caso mais graves das violações contra a mídia no Brasil foi o assassinato de Vladimir Herzog. Somos parceiros do Instituto Vladimir Herzog, e cada ano trabalhamos com ele para a premiação de jornalistas destacados no âmbito dos direitos humanos a través do Prêmio Vladimir Herzog”, lembrou Giuliano, do UNIC Rio.

“A nossa mensagem para os jornalistas é: não se rendam. Seu trabalho é essencial para uma sociedade civil forte e instituições democráticas. Vocês são parceiros da comunidade internacional na luta para o desenvolvimento e a erradicação do sofrimento humano”, salientou.

“Quando eu era jornalista, em dois ocasiões fui vítima de abusos, afortunadamente muito limitados: em Myanmar, quando minhas fotos e gravações foram confiscadas e não me foi possível voltar ao país, e entre Israel e Jordânia, em termos de liberdade de movimento. Em ambas ocasiões os abusos foram denunciados pela RSF, e fiquei bem grato desse trabalho que vocês fazem”, declarou Giuliano.

Com informações da Agência Brasil


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