Remessas de migrantes beneficiam 750 milhões de pessoas e somam quase meio trilhão de dólares

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Números foram divulgados pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), que chamou atenção para o impacto positivo do dinheiro de migrantes na vida de seus familiares vivendo nos países de origem. Agência das Nações Unidas aponta que as remessas ajudam a estabilizar as comunidades de nações afetadas por conflitos ou desastres naturais. Organismo também desmistificou ideia de que envio de recursos provocaria escoamento de fundos do país de acolhimento para as terras natais.

Remessas de migrantes beneficiam 750 milhões de pessoas, segundo o FIDA. Foto: FIDA

Remessas de migrantes beneficiam 750 milhões de pessoas, segundo o FIDA. Foto: FIDA

Cerca de meio trilhão de dólares são enviados anualmente por migrantes aos seus países de origem. O montante é a soma aproximada das remessas desses trabalhadores expatriados para os familiares vivendo na terra natal. Divulgado pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) no sábado (8), o número representa o retorno financeiro dado aos parentes dos 250 milhões de trabalhadores migrantes que deixaram suas nações.

“Ouvimos preocupações sobre a entrada de migrantes e refugiados nos países, mas não nos esqueçamos de que o dinheiro que eles mandam para casa, particularmente para países onde conflitos e desastres ambientais têm provocado destruição, ajuda de fato a estabilizar famílias e comunidades”, afirmou o representante da agência da ONU, Adolfo Brizzi, em participação no Festival Internacional de Jornalismo de Perugia, na Itália.

Segundo o organismo internacional, 750 milhões de pessoas são beneficiadas pelos recursos financeiros enviados por parentes trabalhando no exterior. Somadas os responsáveis e os destinatários das remessas, o FIDA aponta que esse dinheiro movimenta a vida de uma em cada sete pessoas vivendo no planeta.

A agência da ONU aponta ainda que remessas são crucias para milhões de lares, ajudando famílias a sair da subsistência e a diminuir seus níveis de vulnerabilidade. O dinheiro permite investir em educação, saúde, habitação e atividades empreendedoras.

O FIDA também desmistificou a ideia de que, com o apoio dado a familiares, migrantes provocariam o escoamento de recursos para outros países, em vez de gerar dividendos para as nações onde eles se instalaram. Segundo Brizzi, a maior parte da renda permanece nesses Estados e apenas uma fração — transferências feitas várias vezes ao ano, mas que variam tipicamente de 200 a 300 dólares — é enviada “para casa”.

A quantia pode parecer pequena, mas representa, em alguns casos, até 50% ou mais da renda total da família. Em 2015, a soma das transações realizadas fez com que remessas alcançassem a marca de quase meio trilhão de dólares — mais do que o triplo da assistência oficial para o desenvolvimento vinda de todas as fontes.

Para Brizzi, os benefícios poderiam ser muito maiores se famílias tivessem acesso a mercados e serviços financeiros mais competitivos e voltados para as suas necessidades. Isso poderia ajudá-las a poupar ou investir os fundos recebidos. Ao longo da última década, o FIDA conduziu mais de 50 programas-piloto para impulsionar o impacto das remessas em mais de 40 países em desenvolvimento. Iniciativas visavam à criação de empregos e negócios.


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