Relatório do ACNUR revela mudanças no movimento migratório para a Europa

AUMENTAR LETRA DIMINUIR LETRA

Apesar da queda do número de refugiados e migrantes que chegaram à Europa no ano passado, os perigos que muitos enfrentam ao longo do caminho aumentaram em alguns casos, segundo um novo relatório da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), que revela novos padrões de movimento.

A jornada até a Itália, por exemplo, mostrou-se cada vez mais perigosa. A taxa de mortalidade entre os que saem da Líbia rumo ao continente europeu por via marítima aumentou para uma em cada 14 pessoas nos primeiros três meses de 2018, em comparação com uma em cada 29 no mesmo período de 2017.

Mulher refugiada da Eritreia consola amiga em um ônibus em aeroporto na Itália. Foto: ACNUR/Alessandro Penso

Mulher refugiada da Eritreia consola amiga em um ônibus em aeroporto na Itália. Foto: ACNUR/Alessandro Penso

Apesar da queda do número de refugiados e migrantes que chegaram à Europa no ano passado, os perigos que muitos enfrentam ao longo do caminho aumentaram em alguns casos, segundo um novo relatório da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), que revela novos padrões de movimento.

O relatório Jornadas Desesperadas (Desperate Journeys, em inglês) revelou que as chegadas marítimas à Itália, vindas principalmente da Líbia, caíram drasticamente desde julho de 2017. Essa queda continuou nos primeiros três meses de 2018, com uma redução de 74% em relação ao ano passado.

A jornada até a Itália se mostrou cada vez mais perigosa. A taxa de mortalidade entre os que saem da Líbia rumo ao continente europeu por via marítima aumentou para uma em cada 14 pessoas nos primeiros três meses de 2018, em comparação com uma em cada 29 no mesmo período de 2017.

Além disso, nos últimos meses observou-se um quadro alarmante de deterioração na saúde dos recém-chegados da Líbia. Cresceu o número de pessoas que chegam extremamente fracas, magras e com problemas de saúde em geral.

Embora o número total de travessias pelo Mediterrâneo tenha permanecido muito abaixo dos índices de 2016, o relatório do ACNUR encontrou um aumento nas chegadas à Espanha e à Grécia no final de 2017.

Em 2017, a Espanha testemunhou um aumento de 101% no fluxo de pessoas em comparação a 2016, que totalizou 28 mil chegadas. Os primeiros meses de 2018 revelam uma tendência similar, com as chegadas aumentando 13% em relação ao ano passado. Marroquinos e argelinos se tornaram as duas principais nacionalidades, embora os sírios continuem sendo o maior grupo a atravessar as fronteiras terrestres da Espanha.

Na Grécia, o número total de chegadas por via marítima diminuiu em relação a 2016. No entanto, um aumento de 33% foi observado entre maio e dezembro do ano passado, com 24,6 mil novas chegadas registradas, frente a 18,3 mil no mesmo período de 2016. A maioria das pessoas são originárias de Síria, Iraque e Afeganistão, incluindo um elevado número de famílias com crianças. Os solicitantes de refúgio que chegaram à Grécia por via marítima enfrentaram longas estadias em ambientes superlotados e condições precárias nas ilhas gregas.

O relatório revela que, devido ao aumento das restrições na Hungria, muitos refugiados e migrantes recorrem a rotas alternativas para se deslocar dentro da Europa. Por exemplo, alguns cruzam da Sérvia para a Romênia, enquanto outros se deslocam da Grécia via Albânia, Montenegro e Bósnia-Herzegovina para a Croácia.

“Para refugiados e migrantes, as viagens para e pela Europa continuam cheias de perigos”, afirmou Pascale Moreau, diretor do escritório do ACNUR na Europa. Acredita-se que em 2017 mais de 3,1 mil pessoas perderam a vida no mar em rotas rumo à Europa, em comparação com 5,1 mil em 2016. Outras 501 pessoas morreram ou desapareceram desde o início de 2018.

Além das mortes no mar, pelo menos outras 75 pessoas morreram ao longo de rotas terrestres nas fronteiras externas da Europa ou enquanto viajavam pela continente europeu em 2017, com relatos recorrentes de retrocessos profundamente preocupantes.

Clique aqui para acessar o relatório completo (em inglês).


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