Relatório do ACNUR prevê aumento significativo de deslocamentos nos próximos dez anos

Documento alerta que desastres naturais deslocam mais que conflitos, mas essas pessoas não são consideradas refugiadas na lei internacional. Agência pede soluções políticas.

O número de pessoas deslocadas deve aumentar significativamente nos próximos dez anos por causa de conflitos, desastres naturais e mudanças climáticas. A conclusão é do relatório “A Situação dos Refugiados do Mundo: Na Buca por Solidariedade”, lançado hoje (31/05) pelo do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR).

“O mundo está gerando rapidamente mais deslocamentos do que soluções para o problema”, disse o Alto Comissário da ONU para Refugiados, António Guterres. “Isto significa apenas uma coisa: mais pessoas vivendo muito tempo no exílio, impossibilitadas de voltar para casa e de se estabelecer em um lugar ou em outro. O deslocamento global é um problema internacional que exige soluções  internacionais – e com isso, quero dizer principalmente soluções políticas”, alertou.

O documento afirma que já há mais deslocados por desastres naturais do que por conflitos armados, mas a lei internacional não reconhece como refugiado quem deixa um país para fugir de mudanças climáticas e desastres naturais. E nesta mudança de perfil, coloca o deslocamento interno como um desafio primordial.

Atualmente, a maioria das 43 milhões de pessoas no mundo forçadas a abandonar suas casas não é refugiada, mas indivíduos deslocados internamente em seus países. Em todo o mundo, cerca de 26 milhões de indivíduos estão nesta categoria, enquanto de 15 a 16 milhões são refugiados e cerca de um milhão é solicitante de refúgio.

Aproximadamente 80% dos refugiados hoje vivem em países em desenvolvimento.

Uma grande solidariedade internacional é necessária para lidar com estes desafios todos, conclui o relatório. Isso significa aumentar as oportunidades de reassentamento de refugiados em países industrializados, desenvolver projetos cooperativos que promovam o regresso voluntário sustentável ou a integração local, além do apoio às comunidades que acolhem refugiados.

É necessário que se estabeleça um novo pacto de divisão de esforços e  responsabilidades em todo o campo da proteção aos refugiados, desde a prevenção de conflitos à solução dos problemas.