Relatório das Nações Unidas aborda renovação de sistema financeiro e economia global

Um novo relatório das Nações Unidas envolvendo mais de 60 organizações internacionais alerta que uma revisão abrangente do sistema financeiro mundial é necessária caso governos queiram honrar compromissos para responder a questões críticas, como mudança climática e erradicação da pobreza até 2030. O documento apresenta uma série de recomendações sobre como gerar um sistema financeiro e uma economia global mais sustentável.

As recomendações incluem uma mudança para investimentos de longo prazo e a inclusão da sustentabilidade como fator central de risco; uma renovação do sistema de comércio multilateral; uma resposta à concentração dos mercados nas mãos de um pequeno número de companhias poderosas, o que não é limitado às fronteiras nacionais.

Moradores de favela em Dhaka, capital de Bangladesh. Foto: Banco Mundial/Dominic Chavez

Moradores de favela em Dhaka, capital de Bangladesh. Foto: Banco Mundial/Dominic Chavez

Um novo relatório das Nações Unidas envolvendo mais de 60 organizações internacionais alerta que uma revisão abrangente do sistema financeiro mundial é necessária caso governos queiram honrar compromissos para responder a questões críticas, como mudança climática e erradicação da pobreza até 2030. O documento apresenta uma série de recomendações sobre como gerar um sistema financeiro e uma economia global mais sustentável.

O relatório Financiamento para Desenvolvimento Sustentável afirma que alcançar os recursos necessários para implementar a Agenda 2030 não envolve apenas encontrar investimentos adicionais, mas também construir sistemas financeiros solidários e políticas ambientais, em nível nacional e global, que sejam favoráveis ao desenvolvimento sustentável. A Agenda 2030 é o plano de ação da ONU para as pessoas, para o planeta e para a paz.

Em entrevista à imprensa na quinta-feira (4), após lançamento do relatório, a vice-secretária-geral da ONU, Amina Mohammed, disse que o documento entrega uma “mensagem sóbria”, descrevendo um baixo crescimento de salários, um aumento da desigualdade e de dívida, além de estagnação dos níveis de ajuda humanitária no mundo.

A mudança climática, disse Mohammed, continua ameaçando desenvolvimento sustentável em todas as regiões. Apesar de compromissos internacionais para limitar um aumento nas temperaturas globais, emissões de gases causadores do efeito estufa aumentaram 1,3% durante o ano de 2017.

O relatório também mostrou que é cada vez mais difícil criar condições para gerar mudanças positivas. Entre as razões estão as mudanças rápidas em tecnologias, na geopolítica e no clima, além da incapacidade de adaptação de instituições nacionais e multilaterais.

Além disso, a desigualdade crescente minou a confiança de muitas pessoas no sistema multilateral. Em seu prefácio ao relatório, o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse: “nosso desafio compartilhado é fazer com que os sistemas internacionais de comércio e finanças se encaixem no propósito de avançar o desenvolvimento sustentável e promover uma globalização justa”.

Recomendações para uma economia sustentável

Apesar dos muitos problemas e impasses destacados no relatório, as organizações internacionais envolvidas concluíram que o interesse em desenvolvimento sustentável está crescendo na comunidade financeira. Segundo o documento, cerca de três quartos de investidores individuais mostram interesse em como seus comportamentos financeiros afetam o mundo.

O relatório também traz uma série de recomendações sobre formas de gerar um sistema financeiro e uma economia global mais sustentável. Estas formas incluem uma mudança para investimentos de longo prazo e a inclusão da sustentabilidade como fator central de risco; uma renovação do sistema de comércio multilateral; uma resposta à concentração dos mercados nas mãos de um pequeno número de companhias poderosas, o que não é limitado às fronteiras nacionais.

A vice-secretária-geral da ONU destacou que encorajar notas de crédito de longo prazo, impostos sobre carbono e a divulgação significativa de custos sociais e ambientais de negócios, são exemplos de incentivos alinhados com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Mohammed também pediu maior regulamentação para as tecnologias financeiras, conhecidas como fintechs. Embora estas tecnologias tenham permitido acesso de mais de meio bilhão de pessoas a serviços financeiros, possibilitando progresso da Agenda 2030 em países em desenvolvimento, reguladores lutam para manter o ritmo e, se estas tecnologias crescerem sem supervisão, podem colocar a estabilidade financeira em risco.

As conclusões do relatório serão discutidas entre 15 e 18 de abril no Fórum sobre Financiamento para Desenvolvimento, do Conselho Econômico e Social da ONU, onde Estados-membros analisam medidas necessárias para mobilizar financiamento sustentável.