Relatório da ONU sobre situação econômica: Europa emerge da recessão, mas recuperação será lenta

Recorde histórico de desemprego persistirá como principal desafio da região nos próximos dois anos – Espanha e Grécia experienciam taxas perto dos 27%, com o desemprego entre jovens sendo superior ao dobro desse índice. Continente deve apresentar melhorias gerais na economia assim que reduzir programas de austeridade.

O fim da recessão econômica na Europa Ocidental vai trazer um crescimento na atividade econômica da região em 2014, embora seja lento e acompanhado por uma persistência do desemprego de acordo com o Relatório da ONU sobre a Situação Econômica e Perspetivas 2014*, lançado na segunda-feira (20).

O crescimento econômico, medido pelo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), espera ter um valor de 1,5% em 2014 e 1,8% em 2015 na Europa Ocidental. Porém, o crescimento será desigual entre os países. A economia do Reino Unido deverá crescer 2,2% em 2014, enquanto que a da França e Alemanha deverão ficar pelos 0,8% e 1,9% respectivamente.

Os países mais afetados pela crise da zona Euro estão demonstrando sinais de melhoria, embora o relatório afirme que ainda se encontram em posições delicadas. A economia italiana deverá contrair-se em 1,8% em 2013, esperando-se que saia da recessão ainda este ano e cresça 0,8%. Similarmente, a Espanha deve decrescer 1,2% em 2013, devendo registar 0,9% de crescimento em 2014. As economias do Chipre e da Grécia continuarão em decréscimo em 2014.

O relatório afirma que as tensões na região diminuíram dramaticamente desde que o Banco Central Europeu (BCE) anunciou o lançamento do seu programa de Transações Monetárias sem Reservas (OMT). Através dele, o BCE pode comprar títulos ilimitados de um governo que solicite assistência e concorde com certas medidas econômicas. Apesar de a política não ter sido implementada ainda, serviu de entrave a um círculo vicioso, contendo os rendimentos de títulos depois de várias crises terem começado em 2013, como no Chipre.

Programas de austeridade estão entre desafios

Há sinais positivos, mas a região ainda enfrenta alguns desafios. As condições de crédito ainda não estão regularizadas. A queda dos preços no fim de 2013 aponta para o risco de deflação.

A região registrará melhoras tão logo os programas de austeridade diminuam de intensidade, afirma o relatório.

O investimento, aspecto fraco nos últimos dois anos, deve crescer em 2014 e 2015, enquanto a procura sobe gradualmente e as condições de financiamento se tornam mais favoráveis. No entanto, sua repercussão deverá ser fraca.

Desemprego atinge novo recorde

A subida implacável do desemprego – sentida na maioria dos países após a Grande Recessão – atingiu um novo recorde de 12,2% na zona euro. No entanto, a taxa varia conforme a região. Na Alemanha, a taxa está em baixa recorde de cerca de 5% , enquanto a Espanha e Grécia experienciam taxas perto dos 27%, com o desemprego entre jovens sendo superior ao dobro desse índice.

A situação do desemprego deve melhorar de forma lenta, sendo que o crescimento na região não é forte o suficiente para estimular dinamismo nos mercados de trabalho. Adicionalmente, os trabalhadores desencorajados que abandonaram a população ativa durante a recessão, regressarão assim que as condições melhorarem, atrasando as melhorias na taxa de desemprego.

Na zona euro, estima-se que a taxa de desemprego fique pelos 12% durante 2013 e se estabilize pelos 12,1% durante 2014 até finalmente começar a recuar para os 11,8% em 2015.

*O relatório Situação Econômica e Perspetivas é produzido anualmente pelo Departamento das Nações Unidas de Assuntos Econômicos e Sociais (DESA), pela Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) e cinco comissões regionais da ONU. Para acessar a versão completa nos idiomas oficiais da ONU, clique aqui.