Relatório da ONU mostra que 1 milhão de espécies de animais e plantas enfrentam risco de extinção

Um duro relatório acerca do impacto humano sobre a natureza mostra que quase 1 milhão de espécies de animais e plantas correm risco de extinção dentro de décadas. Os atuais esforços para conservar os recursos da Terra devem falhar caso não sejam tomadas ações radicais, disseram especialistas das Nações Unidas na segunda-feira (6).

Sobre os riscos à fauna e à flora, o estudo afirmou que atividades humanas “ameaçam mais espécies atualmente do que nunca”. A conclusão foi baseada no fato de que em torno de 25% das espécies de plantas e de animais estão vulneráveis. Em torno de 1 milhão de espécies “já enfrentam risco de extinção, muitas delas dentro de décadas, a não ser que ações sejam tomadas para reduzir a intensidade de impulsionadores de perdas à biodiversidade”.

Sapo folha esplêndido, no Equador. Foro: PNUD

Sapo folha esplêndido, no Equador. Foro: PNUD

Um duro relatório acerca do impacto humano sobre a natureza mostra que quase 1 milhão de espécies de animais e plantas correm risco de extinção dentro de décadas. Os atuais esforços para conservar os recursos da Terra devem falhar caso não sejam tomadas ações radicais, disseram especialistas das Nações Unidas na segunda-feira (6).

Em discurso em Paris no lançamento do estudo — o primeiro relatório sobre o assunto desde 2005 —, a diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Audrey Azoulay, afirmou que as conclusões colocam o mundo “em aviso prévio”.

“Após a adoção deste relatório histórico, ninguém poderá dizer que não sabia”, afirmou Azoulay. “Não podemos mais destruir a diversidade de vida. Esta é nossa responsabilidade com as gerações futuras”.

Destacando a importância universal da biodiversidade — a diversidade dentro de espécies, entre espécies e de ecossistemas — Azoulay afirmou que protegê-la “é tão vital quanto combater a mudança climática”.

Apresentado para mais de 130 delegações governamentais para aprovação na sede da UNESCO, o relatório contou com trabalho de 400 especialistas de ao menos 50 países. O documento foi coordenado pela Plataforma Intergovernamental para Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES), sediada em Bonn, na Alemanha.

Além de fornecer informações sobre o estado da natureza, de ecossistemas e sobre como a natureza escora todas as atividades humanas, o estudo também discute progresso em metas internacionais, como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e o Acordo de Paris sobre mudança climática.

O relatório também examinou cinco fatores impulsionadores de mudanças “sem precedentes” na biodiversidade e em ecossistemas ao longo dos últimos 50 anos. Os impulsionadores foram identificados como: mudanças no uso da terra e do mar; exploração direta de organismos; mudança climática, poluição e invasão de espécies estrangeiras.

Uma em cada quatro espécies está em risco de extinção

Sobre os riscos à fauna e à flora, o estudo afirmou que atividades humanas “ameaçam mais espécies atualmente do que nunca”. A conclusão foi baseada no fato de que em torno de 25% das espécies de plantas e de animais estão vulneráveis.

Isso significa que em torno de 1 milhão de espécies “já enfrentam risco de extinção, muitas delas em décadas, a não ser que ações sejam tomadas para reduzir a intensidade de impulsionadores de perdas à biodiversidade”.

Sem medidas para redução de perdas, haverá uma “maior aceleração” na taxa global de extinção de espécies. Atualmente, a taxa é “ao menos dezenas de centenas de vezes maior do que a média ao longo dos últimos 10 milhões de anos”, segundo o relatório.

O estudo destacou que, apesar de muitos esforços locais, incluindo de povos indígenas e de comunidades locais, até 2016, 559 das 6.190 espécies domesticadas de mamíferos usadas para alimentação e agricultura foram extintas. Este número representa em torno de 9% do total e ao menos mais 1 mil espécies estão ameaçadas.

Segurança de safras ameaçada em longo prazo

Além disso, muitas plantações “selvagens” necessárias para segurança alimentar em longo prazo “não possuem proteção eficaz”, segundo o relatório. A situação de “parentes” selvagens de aves e mamíferos domesticados também “está piorando”.

Ao mesmo tempo, reduções na diversidade de safras cultivadas, plantações selvagens e espécies domesticadas significam que a agricultura provavelmente será menos resiliente à mudança climática, a pestes e patogênicos.

“Embora mais alimentos, energia e materiais estejam sendo fornecidos para pessoas na maioria dos lugares, isso ocorre cada vez mais à custa da habilidade da natureza de fornecer tais contribuições no futuro”, afirmou o relatório.

Poluição marinha “aumentou dez vezes desde 1980”

Embora as tendências globais sejam mistas, a poluição do ar, da água e do solo continua aumentando em algumas áreas, de acordo com o relatório.

“A poluição marinha por plásticos, em particular, aumentou dez vezes desde 1980, afetando ao menos 267 espécies”, disse o documento. Isso inclui 86% das tartarugas marinhas, 44% das aves marinhas e 43% dos mamíferos marinhos.

O Relatório de 2019 da Avaliação Global sobre a Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos também é o primeiro a examinar e incluir indígenas e conhecimentos locais, questões e prioridades, afirmou a IPBES em comunicado.

Segundo a plataforma, sua missão é fortalecer a tomada de decisões políticas para uso sustentável da biodiversidade, bem estar humano no longo prazo e desenvolvimento sustentável.