Relatório da ONU indica participação do governo congolês em massacres na RDC

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A violência nas províncias de Kasai, na República Democrática do Congo (RDC), parece assumir uma dimensão étnica cada vez mais perturbadora, alertou o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), citando acusações segundo as quais forças governamentais teriam liderado ataques com motivações étnicas.

Pessoas entrevistadas por equipes das Nações Unidas no país indicaram que as forças de segurança locais e outros oficiais fomentaram ativamente e ocasionalmente lideraram ataques com base em etnia.

A violência nas províncias de Kasai, na República Democrática do Congo (RDC), parece assumir uma dimensão étnica cada vez mais perturbadora, alertou o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), citando acusações segundo as quais forças governamentais teriam liderado ataques com motivações étnicas.

“Os sobreviventes relataram que ouviram gritos de pessoas queimadas vivas, viram pessoas amadas serem perseguidas e massacradas, e que elas mesmas tiveram que fugir em terror. Essa chacina é ainda mais aterrorizante porque encontramos indícios de que as pessoas estão sendo atacadas por causa de seu grupo étnico”, disse o alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Zeid Ra Mel Al Hussein, em comunicado de imprensa divulgado nesta sexta-feira (4).

“Os relatos devem servir como um grave aviso ao governo da RDC para agir agora, a fim de evitar que tal violência desencadeie uma limpeza étnica mais ampla”, acrescentou, pedindo que o governo tome todas as medidas necessárias para cumprir sua obrigação primária de proteger a população de todos os grupos étnicos na área de Kasai.

O relatório é baseado em entrevistas com 96 pessoas que fugiram para Angola com o objetivo de escapar da violência no território Kamonia em Kasai. A equipe da ONU pôde confirmar que, entre 12 de março e 19 de junho, cerca de 251 pessoas foram vítimas de assassinatos — incluindo 62 crianças, das quais 30 tinham menos de 8 anos.

Os entrevistados indicaram que as forças de segurança locais e outros oficiais fomentaram ativamente e ocasionalmente lideraram ataques com base em etnia. A missão da ONU na RDC identificou pelo menos 80 valas comuns em Kasai.

Os confrontos entre a milícia Kamuina Nsapu e o governo começaram em agosto de 2016. A equipe da ONU confirmou que outra milícia, chamada Bana Mura, foi formada em março/abril de 2017 por indivíduos dos grupos étnicos Tshokwe, Pende e Tetela. O grupo é supostamente armado e apoiado por líderes tradicionais locais e oficiais das forças de segurança, inclusive do exército e da polícia, e tem promovido ataques à população das etnias Luba e Lulua, que são acusadas de serem cúmplices do Kamuina Nsapu.

De acordo com o relatório, o grupo Bana Mura alegadamente realizou uma campanha destinada a eliminar toda a população Luba e Lulua nas aldeias que atacaram. Em muitos dos incidentes reportados, soldados das Forças Armadas da República Democrática do Congo foram visto liderando grupos de milícias Bana Mura durante ataques em aldeias.

Dada a situação na região, o relatório destacou a necessidade de a equipe de especialistas internacionais sobre a situação no Kasai, estabelecida em junho pelo Conselho dos Direitos Humanos da ONU, ter acesso seguro e irrestrito a informação, locais e indivíduos considerados necessários para seu trabalho.


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