Relatório da ONU destaca práticas sustentáveis na indústria e comércio do Brasil

Estudo global do programa ambiental da ONU destacou duas empresas brasileiras por uso sustentável da biodiversidade na inovação.

Floresta Nacional dos Tapajós, no Brasil. Foto: ONU/Eskinder Debebe

Floresta Nacional dos Tapajós, no Brasil. Foto: ONU/Eskinder Debebe

O relatório Economia Verde e Comércio — Tendências, Desafios e Oportunidades, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), ressaltou iniciativas sustentáveis na indústria e comércio brasileiros. O documento, publicado esta semana, aborda as oportunidades que as políticas de economia verde geram para o comércio sustentável e os incentivos que o comércio internacional podem criar para promover uma economia mais verde.

Foram analisados seis setores econômicos — agricultura, pesca, florestas, indústria, energia renovável e turismo.

O estudou destacou a empresa brasileira de cosméticos Natura, que adotou o uso sustentável da biodiversidade como referência para inovação. O relatório lembrou que a companhia desenvolveu alternativas vegetais para as matérias-primas petroquímicas, que permitiram reduzir o uso de carbono e criar uma nova linha de produtos baseados no uso sustentável da biodiversidade.

Em 2010, lembrou o estudo, a empresa madeireira Rondobel, que atua no estado do Pará, se tornou a primeira companhia da América Latina a atender os princípios da organização não governamental (ONG) Rainforest Alliance, em prol da Verificação da Origem Legal (VLO, na sigla em inglês), que examina se a fonte da madeira é legal.

Em dezembro de 2011 a empresa foi auditada pela ONG Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) com base nos princípios da ONG Conselho de Manejo Florestal (FSC, na sigla em inglês). Em junho de 2012, a companhia recebeu um certificado da FSC por suas atividades na floresta e na serraria.

Segundo o relatório, o certificado e o comprometimento da Rondobel com a sustentabilidade e a excelência ambiental abriram novos mercados para a companhia, pois, além das vendas domésticas, a empresa agora comercializa produtos para os Estados Unidos, Europa e Panamá.

Comercialização sustentável na Amazônia

O documento também destacou a Bolsa Amazônia, atualmente em operação na Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador e Venezuela. A iniciativa busca a comercialização sustentável de produtos amazônicos, envolvendo comunidades rurais e as capacitando com informação.

De acordo com o estudo, os países em desenvolvimento com abundantes recursos renováveis estão em boa posição para capitalizar as oportunidades oferecidas por produtos “verdes” e podem assim aumentar sua participação no mercado internacional de bens e serviços sustentáveis.

Em 2011, as economias em desenvolvimento representaram 35% do investimento mundial em energia limpa, sendo que os investimentos no Brasil, China e Índia, responderam por quase 60 bilhões de dólares, ou 90% dos investimentos dos países em desenvolvimento.

O Brasil investiu uma soma considerável de 70 milhões de dólares em tecnologia de hidrogênio entre 2001 e 2007, e no futuro próximo objetiva aumentar esses investimentos nacionais e exportar ônibus de combustível de hidrogênio.

Certificação em alta

Enquanto ainda representa apenas uma pequena percentagem do mercado global, o comércio de produtos certificados e de bens e serviços ambientais está em crescimento em termos absolutos, diz o relatório. O mercado global de tecnologias eficientes de baixo carbono e energia, que incluem produtos de fornecimento de energia renováveis, deverá quase triplicar para 2,2 trilhões de dólares em 2020.

Segundo o relatório, como a demanda por créditos de carbono florestal nos mercados de regulamentação ainda é baixa, o investimento por empresas privadas e instituições financeiras no setor ainda está em um estágio inicial.

O documento aponta que em 2010 mais da metade do volume de comércio de créditos de carbono florestal foi fornecido pela América Latina, a maioria dos quais vieram de 28 projetos florestais no Peru e Brasil.

Para ler o relatório em inglês, clique aqui.