Relatório da OMS aponta déficit de 6 milhões de profissionais de enfermagem no mundo

Relatório lançado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em parceria com o Conselho Internacional de Enfermeiras (ICN, sigla em inglês)) e a iniciativa Nursing Now mostra que atualmente existem pouco menos de 28 milhões de profissionais de enfermagem em todo o mundo.

Entre 2013 e 2018, os números aumentaram 4,7 milhões. Mas isso ainda deixa um déficit global de 5,9 milhões – com as maiores lacunas encontradas em países de África, Sudeste Asiático e da região do Mediterrâneo Oriental (da OMS), além de algumas partes da América Latina.

Enfermeiras no Hospital da Lagoa, no Rio de Janeiro (RJ). Foto: Ministério da Saúde

Enfermeiras no Hospital da Lagoa, no Rio de Janeiro (RJ). Foto: Ministério da Saúde

A pandemia de COVID-19 ressalta a urgente necessidade de fortalecer a força de trabalho global em saúde.

Um novo relatório, intitulado “O estado da enfermagem no mundo 2020” (em inglês), fornece uma visão aprofundada do maior componente da força de trabalho em saúde.

As descobertas identificam lacunas importantes na força de trabalho de enfermagem e nas áreas prioritárias para investimento em educação, empregos e liderança para fortalecer a enfermagem em todo o mundo e garantir saúde para todas as pessoas.

Enfermeiras e enfermeiros representam mais da metade de todos os profissionais de saúde do mundo, fornecendo serviços vitais em todo o sistema.

Historicamente, esses profissionais estão na vanguarda do combate a epidemias e pandemias. Em todo o mundo, estão demonstrando sua compaixão, bravura e coragem ao responder à pandemia de COVID-19: nunca antes seu valor foi demonstrado com tanta clareza.

“Enfermeiras e enfermeiros são a espinha dorsal de qualquer sistema de saúde. Hoje, muitos desses profissionais estão na linha de frente da batalha contra a COVID-19”, afirmou Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS).

“Este relatório é um lembrete direto do papel único que desempenham e um alerta para garantir que obtenham o apoio necessário para manter o mundo saudável”.

O relatório, lançado pela OMS em parceria com o Conselho Internacional de Enfermeiras (ICN, sigla em inglês)) e a iniciativa Nursing Now, revela que hoje existem pouco menos de 28 milhões de enfermeiros em todo o mundo.

Entre 2013 e 2018, os números de pessoal de enfermagem aumentaram 4,7 milhões. Mas isso ainda deixa um déficit global de 5,9 milhões – com as maiores lacunas encontradas em países da África, Sudeste Asiático e da região do Mediterrâneo Oriental (da OMS), além de algumas partes da América Latina.

De acordo com a OMS, é revelador que mais de 80% das enfermeiras e enfermeiros do mundo trabalhem em países que abrigam metade da população mundial.

Um em cada oito profissionais de enfermagem trabalha em um país diferente daquele em que nasceu ou foi capacitado. O envelhecimento também ameaça a força de trabalho de enfermagem: espera-se que um em cada seis enfermeiros e enfermeiras do mundo se aposente nos próximos 10 anos.

Para evitar a escassez global de profissionais, o relatório estima que os países que sofrem com o déficit precisam aumentar em média 8% o número total de graduados em enfermagem por ano, juntamente com a capacidade aprimorada de empregar e retê-los no sistema de saúde. Isso custaria aproximadamente 10 dólares per capita por ano.

“Políticos entendem o custo de capacitar e manter uma força de trabalho profissional de enfermagem, mas somente agora muitos deles reconhecem seu verdadeiro valor”, disse a presidente da ICN, Annette Kennedy.

“Cada centavo investido em enfermagem eleva o bem-estar de pessoas e famílias de maneiras tangíveis e claras para todos verem. Este relatório destaca a contribuição da enfermagem e confirma que o investimento na profissão é um benefício para a sociedade, não um custo. O mundo precisa de mais milhões de enfermeiras e enfermeiros, e estamos pedindo aos governos que façam a coisa certa, invistam nessa maravilhosa profissão e assistam suas populações se beneficiarem do incrível trabalho que somente estes profissionais podem fazer.”

Cerca de 90% de todos profissionais de enfermagem são mulheres, mas poucas delas estão em cargos de liderança – a maior parte deles é ocupada por homens.

Contudo, quando países que permitem às enfermeiras assumir papeis de liderança, como chefe de enfermagem (ou equivalente), e programas de liderança em enfermagem, como condições melhores para os profissionais da área.

“Este relatório apresenta dados e evidências muito necessários para fortalecer a liderança da enfermagem, aprimorar sua prática e capacitar essa força de trabalho para o futuro”, afirmou Lord Nigel Crisp, copresidente da iniciativa Nursing Now.

“Nós acreditamos que opções políticas refletem ações que acreditamos que todos os países podem realizar nos próximos dez anos para garantir que haja enfermeiros e enfermeiras suficientes em todos os países e que esses profissionais usem todos os seus conhecimentos, capacidades e escopo profissional para melhorar a atenção primária à saúde e responder a emergências de saúde, como a causada pela COVID-19. Isso deve começar com um diálogo amplo e intersetorial, que posiciona as evidências de enfermagem no contexto do sistema de saúde de um país, força de trabalho em saúde e prioridades de saúde.”

Para equipar o mundo com a força de trabalho de enfermagem do qual precisa, a OMS e seus parceiros recomendam que todos os países:

Aumentem o financiamento para capacitar e empregar mais enfermeiras e enfermeiros
Fortaleçam a capacidade de coletar, analisar e agir sobre dados referentes à força de trabalho em saúde
Monitorem a mobilidade e a migração de enfermeiras e enfermeiros e gerenciá-las de forma responsável e ética
Eduquem e capacitem enfermeiras e enfermeiros em habilidades científicas, tecnológicas e sociológicas necessárias para impulsionar o progresso na atenção primária à saúde
Estabeleçam posições de liderança, incluindo enfermeiras em cargos de chefia, e apoiem o desenvolvimento da liderança entre jovens enfermeiras.
Garantam que enfermeiras e enfermeiros das equipes de atenção primária à saúde trabalhem em todo o seu potencial, por exemplo, na prevenção e manejo de doenças crônicas não transmissíveis
Melhorem as condições de trabalho: níveis seguros de pessoal, salários justos, direitos à saúde e segurança ocupacional
Implementem políticas sensíveis às questões de gênero para a força de trabalho de enfermagem
Modernizem a regulamentação profissional da enfermagem, harmonizando padrões de educação e prática e usando sistemas que possam reconhecer e processar as credenciais desses profissionais em todo o mundo
Fortaleçam o papel de enfermeiras e enfermeiros nas equipes de assistência, reunindo diferentes setores (saúde, educação, imigração, finanças e trabalho) junto às partes interessadas da enfermagem para o diálogo sobre políticas e o planejamento da força de trabalho
A mensagem do relatório é clara: os governos precisam investir em uma aceleração massiva do ensino de enfermagem, na criação de empregos e na liderança. Sem enfermeiras, enfermeiros, obstetrizes e outros profissionais de saúde, os países não podem vencer a batalha contra epidemias ou alcançar a saúde universal e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Clique aqui para acessar o relatório (em inglês).