Relatório aponta pobreza rural como causa de migrações na América Central

Jovens do campo são o perfil mais comum entre os migrantes que deixam países do norte da América Central, com destino ao México e Estados Unidos, aponta um relatório da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) e da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Em El Progreso, Honduras, Gabriella, de 15 anos, abraça sua mãe Erica Calix, que acaba de saber que o banco confiscará sua casa porque ela não tem condições de pagar o aluguel. Foto: UNICEF/Bindra
Em El Progreso, Honduras, Gabriella, de 15 anos, abraça sua mãe Erica Calix, que acaba de saber que o banco confiscará sua casa porque ela não tem condições de pagar o aluguel. Foto: UNICEF/Bindra

Jovens do campo são o perfil mais comum entre os migrantes que deixam países do norte da América Central, com destino ao México e Estados Unidos, aponta um relatório da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) e da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Divulgado em Marrakesh, durante a conferência da ONU sobre o novo pacto migratório, o levantamento revela que a maioria dos expatriados dessa sub-região sai de zonas agrícolas.

Em 2015, 89% dos migrantes de El Salvador, 87% dos da Guatemala e 82% dos hondurenhos residiam nos Estados Unidos, segundo o relatório.

No período 2010-2015, apenas 11% dos hondurenhos e 15% dos mexicanos retornados — que haviam deixado seus países de origem, mas regressaram posteriormente — instalaram-se em grandes cidades. O restante foi principalmente para comunidades rurais e municípios menores.

A estimativa é um dos dados do Atlas da Migração no Norte da América Central, apresentado no Marrocos pela CEPAL e FAO para debater as causas e consequências dos deslocamentos internacionais na sub-região. A pesquisa enfatiza a relação entre pobreza no campo e os fluxos de migrantes.

“Em Honduras, a porcentagem da população rural que vive na pobreza alcança os 82%, enquanto na Guatemala chega aos 77% e em El Salvador, a 49%”, afirmou a secretária-executiva da CEPAL, Alicia Bárcena, em conferência sobre o relatório.

A dirigente ressaltou que os números da miséria no meio agrícola aumentaram ao longo das últimas décadas, atingindo níveis críticos.

Segundo Bárcena, outros motores da migração centro-americana incluem o desemprego, questões familiares, violações de direitos, violência e segurança e vulnerabilidade às mudanças climáticas.

De acordo com a pesquisa, entre 2000 e 2012, aumentou em 59% o número de pessoas do norte da América Central que viviam em lugares distintos do seu local de nascimento.

“Hoje em dia, a migração é mais complexa do que nunca na América Central. Existem números maiores de migrantes em trânsito, de repatriados, de menores não acompanhados e solicitantes de refúgio. A migração se transformou numa questão da mais alta prioridade nas agendas políticas e de desenvolvimento”, disse Bárcena.

Na avaliação de Kostas Stamoulis, subdiretor-geral do Departamento de Desenvolvimento Econômico e Social da FAO, o atlas confirma que a maioria dos migrantes do norte da América Central que viaja para o México e Estados Unidos são de famílias rurais. Esses indivíduos dependem da agricultura para seu sustento.

O especialista afirmou que a FAO continuará trabalhando com os governos da região para criar oportunidades nas comunidades agrícolas e nos territórios de origem da maioria dos migrantes.

Jovens e menores de idade

De acordo com o atlas, indivíduos com menos de 24 anos representam metade dos migrantes do norte da América Central que deixaram seus países de origem desde 2010. Quando considerados os jovens com menos de 20 anos, incluindo crianças e adolescentes, a proporção é de 25%.

De 2013 a 2017, 180 mil menores desacompanhados foram detidos na fronteira sudoeste dos Estados Unidos. De 2015 a 2016, 45 mil crianças e adolescentes, também desacompanhados e oriundos do norte da América Central, foram registrados no México.

Em 2017, o número de meninas migrantes e não acompanhadas teve aumento expressivo (72%) na comparação com o ano anterior.

Acesse o atlas clicando aqui.



Comente

comentários