Relatores da ONU condenam assassinato de defensor de direitos indígenas no México

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Especialistas das Nações Unidas condenaram veementemente o assassinato de Julián Carrillo, um defensor dos direitos indígenas do estado de Chihuahua, no México, que havia trabalhado incansavelmente por mais de duas décadas para defender sua comunidade contra a exploração de terras ancestrais Rarámuri.

O assassinato de Carrillo é parte de uma série de ataques contra defensores de direitos humanos no país. De acordo com o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), 21 ativistas foram mortos até o momento este ano no México, sendo que nove deles eram membros de comunidades indígenas.

Ciudad Juarez, no estado de Chihuahua, no México. Foto: Wikimedia Commons/On^ste82 (CC)

Ciudad Juarez, no estado de Chihuahua, no México. Foto: Wikimedia Commons/On^ste82 (CC)

Especialistas das Nações Unidas condenaram veementemente na terça-feira (6) o assassinato de Julián Carrillo, um defensor dos direitos indígenas do estado de Chihuahua, no México, que havia trabalhado incansavelmente por mais de duas décadas para defender sua comunidade contra a exploração de terras ancestrais Rarámuri.

No fim de outubro (23), Carrillo disse a um amigo por telefone que acreditava estar sendo observado, e que iria à floresta para tentar se esconder. Na noite de 25 de outubro, seu corpo foi encontrado com diversas marcas de tiros.

“Pedimos às autoridades mexicanas que identifiquem os autores deste crime repreensível e os levem à Justiça”, disseram os especialistas.

Os relatores também pediram que o governo aja frente às causas profundas de tal violência. “O assassinato de Julián Carrillo mostra a séria situação na Sierra Tarahumara, onde a falta de reconhecimento de direitos de terras indígenas é a raiz recorrente violência e dos deslocamentos de comunidades indígenas”.

O relator especial sobre defensores dos direitos humanos, Michel Forst, a relatora especial sobre os direitos dos povos indígenas, Victoria Tauli Corpuz, e o relator especial sobre o direito à liberdade de opinião e expressão, David Kaye, visitaram o estado de Chihuahua. Durante o último ano, eles expressaram graves preocupações com a falta de medidas adequadas de proteção para defensores dos direitos humanos e comunidades indígenas em risco.

“Autoridades mexicanas devem agir urgentemente para fornecer proteção culturalmente apropriada para defensores dos direitos indígenas para que possam realizar seus trabalhos em um ambiente capacitado”, disseram os especialistas.

O assassinato de Carrillo é parte de uma série de ataques contra defensores de direitos humanos no país. De acordo com números do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), 21 defensores dos direitos humanos foram mortos no México até agora no ano, nove deles eram de comunidades indígenas. Quatro membros da família de Carrillo – seu filho, seu genro e dois sobrinhos – foram mortos desde fevereiro de 2016.

“Fazemos um apelo urgente ao governo mexicano para colocar um fim a estes atos espantosos de violência contra defensores dos direitos humanos, incluindo defensores de direitos indígenas”, disseram os especialistas.

O comunicado é assinado por Forst, Tauli Corpuz, além da relatora especial sobre execuções extrajudiciais, sumárias e arbitrárias, Agnès Callamard, e da relatora especial sobre os direitos humanos das pessoas internamente deslocadas, Cecilia Jimenez-Damary.


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