Relatora das Nações Unidas denuncia detenção arbitrária de centenas de pessoas na Eritreia

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A relatora especial da ONU sobre a situação dos direitos humanos na Eritreia condenou a prisão e detenção arbitrária de centenas de pessoas que desafiaram as restrições do governo em uma escola e expressou preocupação quanto à continuação das violações de direitos humanos em todo o país.

Sheila B. Keetharuth, relatora especial da ONU sobre a situação dos direitos humanos na Eritreia. Foto: ONU

Sheila B. Keetharuth, relatora especial da ONU sobre a situação dos direitos humanos na Eritreia. Foto: ONU

A relatora especial da ONU sobre a situação dos direitos humanos na Eritreia condenou a prisão e detenção arbitrária de centenas de pessoas que desafiaram as restrições do governo em uma escola e expressou preocupação quanto à continuação das violações de direitos humanos em todo o país.

Sheila B. Keetharuth disse ao Conselho de Direitos Humanos em Genebra que autoridades de segurança prenderam centenas de pessoas, principalmente homens, após a morte sob custódia de Haji Musa Mohamednur no início de março. Ele tinha 93 anos.

Mohamednur, ex-diretor da escola islâmica privada Al Diaa, no bairro de Akriya, e respeitado ancião da Eritreia, foi preso em outubro de 2017 junto com outros membros do comitê administrativo da escola por não cumprir as ordens do governo. Eles se recusaram a impor a proibição do véu ou hijab, a fim de impedir os ensinamentos religiosos.

“Relatórios que me chegam de fontes confiáveis apontam para a prisão de centenas de pessoas, principalmente homens, alguns deles crianças com apenas 13 anos, após o enterro de Haji Musa”, disse ela, acrescentando que as prisões continuam.

Esta foi a segunda rodada de prisões em massa depois de uma onda semelhante de prisões em outubro de 2017, disse ela. “Em outubro, policiais armados dispersaram violentamente a multidão, empunhando cassetetes e atirando para o alto”, disse Keetharuth.

“Mais de cem pessoas foram arbitrariamente detidas nesse dia. Na sequência, mais pessoas foram presas do bairro de Akriya, incluindo estudantes da escola. Os relatórios indicam que, enquanto algumas pessoas foram libertadas, um número desconhecido permanece sob custódia após essa primeira onda de prisões.”

Ela disse que o governo tentou retratar a resistência da liderança da escola Al Diaa como uma conspiração e revolta muçulmana. “As detenções em massa indiscriminadas em outubro de 2017 e durante esta semana [em março] foram realizadas para reprimir qualquer tipo de protesto ou resistência em face de violações dos direitos humanos”, disse Keetharuth.

“O medo de compartilhar qualquer coisa que possa ser percebida pelo governo como crítica, como detalhes sobre a prisão e a detenção de um parente, continua alto.”


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