Relatora da ONU pede intervenção da comunidade internacional pelos direitos humanos na Eritreia

Sheila B. Keetharuth disse à Assembleia Geral da ONU que há relatos de assassinato, desaparecimentos forçados, prisões arbitrárias, tortura e falta de liberdade de expressão no país.

Relatora especial da ONU sobre a Eritreia, Sheila B. Keetharuth, na sede das Nações Unidas em Nova York. Foto: ONU/ Amanda Voisard

Relatora especial da ONU sobre a Eritreia, Sheila B. Keetharuth, na sede das Nações Unidas em Nova York. Foto: ONU/ Amanda Voisard

Uma especialista das Nações Unidas pediu na quinta-feira (24) que a comunidade internacional se concentre na situação dos direitos humanos na Eritreia, onde há graves violações sendo cometidas e cerca de 3 mil pessoas fogem a cada mês, muitas delas crianças desacompanhadas.

A relatora especial da ONU sobre a Eritreia, Sheila B. Keetharuth, comunicou à Assembleia Geral da organização sobre o que está acontecendo no país e disse que, a partir de entrevistas com eritreus exilados e com representantes do Djibuti e da Etiópia, há casos detalhados de execução extrajudicial, desaparecimentos forçados, prisões arbitrárias, tortura e falta de liberdade de expressão e de opinião, reunião, associação, crença religiosa e circulação.

“Todo eritreu deve ser capaz de reivindicar e usufruir dos seus direitos humanos, seja civil, político ou econômico, social e cultural”, disse Keetharuth. “Isso vai exigir ideias inovadoras que abordem essas questões percebidas pela Eritreia como hostis e engajamento construtivo com o país e seus vizinhos para melhorar a situação dos direitos humanos na região”, completou.

O desespero das pessoas na Eritreia ficou ainda mais evidente nas duas tragédias que aconteceram sucessivamente em barcos nas costas da Itália e de Malta no início de outubro, quando mais de 350 refugiados perderam suas vidas, incluindo muitos eritreus, lembrou a relatora especial da ONU.

De acordo com a agência das Nações Unidas para os refugiados (ACNUR), 305.723 pessoas fugiram da Eritreia no ano passado, e entre 2 mil e 3 mil deixam o país todo mês.