Relator da ONU pede responsabilização para casos de sequestros de japoneses na Coreia do Norte

Especialista independente da ONU diz que é “imperativo buscar a responsabilidade criminal dos dirigentes da Coreia do Norte” e enfatiza urgência de solucionar desaparecimentos forçados no país.

Bandeiras da Coreia do Norte na capital Pyongyang. Foto: Flickr/Stephan (CC)

Bandeiras da Coreia do Norte na capital Pyongyang. Foto: Flickr/Stephan (CC)

O relator especial da ONU sobre a situação dos direitos humanos na Coreia do Norte, Marzuki Darusman, apelou à comunidade internacional para aumentar seus esforços para melhorar os direitos humanos no país, acrescentando que é “imperativo buscar a responsabilidade criminal da liderança da Coreia do Norte”. O pedido foi feito na sexta-feira (22), em Tóquio, Japão.

De acordo com o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), desde que foi nomeado especialista independente da Organização, em 2010, Darusman fez vários pedidos para visitar a Coreia do Norte, mas seu acesso nunca foi concedido.

Lembrando que sua visita ao Japão foi feita depois da realização do teste nuclear anunciada pela Coreia do Norte, Darusman explicou que qualquer ato que possa ser considerado como violência contra a comunidade internacional tem impactos negativos sobre o contexto de direitos humanos no país.

Durante sua missão de cinco dias em Tóquio, Darusman se reuniu com membros das famílias de vítimas de sequestro, representantes de organizações da sociedade civil, além de ministros, membros da Suprema Corte e da Agência Nacional de Polícia.

“Estou decepcionado que não temos apresentado progresso concreto desde que o Japão e a Coreia do Norte assinaram um acordo bilateral há quase dois anos para trabalhar em direção à solução para esse problema”, declarou.

Segundo o relator especial da ONU, o ex-líder supremo do país, Kim Jong-il, sabia do envolvimento da Coreia do Norte na abdução de cidadãos japoneses.

“Tal conhecimento, sem as soluções concretas e compreensíveis, naturalmente levanta suspeitas de que o país continua envolvido e implicado nos sequestros”, afirmou.

Sobre o quadro, Darusman disse que a ONU está comprometida com a busca de um acordo final sobre o rapto de japoneses e de outros.
Ele sublinhou que os desaparecimentos forçados também afetam a comunidade internacional, e que o progresso sobre a questão contribuiria para a construção de uma relação de confiança entre os países, o que afirmou ser obrigação de todos os Estados-membros da ONU.